terça-feira, 31 de maio de 2011

Modernices



Escuto há pouco que um jovem, em busca de uma maneira original de pedido de casamento, à namorada, sendo craque em aplicações na internet, e sabendo a namorada grande fâ do Harry Potter, conseguiu introduzir a pergunta mágica, num questionário sobre o pequeno mágico, o qual, a amada consultaria no seu portátil, e pasme-se, isto tudo num jantar a dois num restaurante. Admito que o pessoal da nova vaga tenha outros conceitos de originalidade e de romance, mas convenhamos - ir para um restaurante, jantarinho romântico a dois, de pc em punho, e ficar a navegar em vez de namorar, não era noiva para mim, nem aqui nem no Disneyworld. Para mais, é um pedido de casamento, muito fuleiro, este do marry me, no meio do Potter.

das Distâncias




Distâncias não se medem a metro. Tempos houveram em que a distância tinha um peso avassalador entre as pessoas, não só pela mesma, mas também pela ausência de comunicação. A rapaziada do meu tamanho lembra-se da carta, que até chegar ao destinatário, já estaria decerto desactualizada, caso o seu conteúdo relatasse novidades, e sendo carta de amor, poderia também perder o seu efeito. Hoje, apesar das distâncias, os meios dos quais dispomos possibilitam um namoro em tempo real, de Lisboa a Toquio, com direito a voz e imagem. Claro que nada substitui o olhar, o toque, o cheiro, e muitos mais etecetaras, mas é como que se a distância fosse bem menor do que é na realidade. Outras distâncias existem, aquelas que convivem entre pessoas próximas, que por mais próximas que estejam, estão a milhas de distância. E nada haverá capaz de resgatar essas distância. Chamam-lhe solidão acompanhada, incompatiblidade, feitios... São as consequências, das escolhas erradas, do receio de ficar só, de se ter uma figura ao lado para apenas fazer ver. Aplica-se o ditado - mais vale ficar só, do que mal acompanhado. Assuma-se - bom mesmo é a pessoa certa, aquela que encaixa como a peça do puzzle, na perfeição, ao lado. Voila.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

mimos



Chego a pensar que eu não devia cheirar tão bem...

egoísmos



Se o passado nos visita sem aviso prévio, nem que seja em forma de notícia dada por portador, amigo cumum, de alguém que em tempos passou pela nossa vida, a sensação pode vestir muitas roupas. Podemos querer saber mais, como é, como foi, detalhes, ou simplesmente pensar que não estamos interessados em saber nada. Pura e simplesmente. Existiu em mim um misto de querer saber apenas se tudo estava bem, se tudo seguiu o caminho de final feliz, mas apenas e só essa notícia, e nada mais, junto com o desejo de que o meu interlocutor não tocasse no assunto, e se limitasse a conversas de circunstância. Mas tal não aconteceu. Ele foi directo ao assunto, colocando-me a par de notícias menos boas. Egoístamente, desejei que esta conversa não tivesse acontecido. Porque me deu algum desconforto no meu serão musical, mas afinal o que é um desconforto comparado com o que me foi revelado? Nada. Insignificante. Egoísta me assumo.

este teve outro sabor



Cumpriu-se ontem mais um Portugal a Rufar. Este ano, quam apareceu para bombar, não teve apoios financeiros. Chegaram pelo seu pé, e suas despesas, e fizeram a festa. Com o incêndio da sede do Toca, foram-se as paredes, os instrumentos, muita da sua história, mas não se foram os sonhos, o projecto, nem a força de ultrapassar contrariedades. Ontem desfilou-se, tocou-se e bombou-se com outro sabor, e saboreou-se um festival não menos grandioso e genuíno do que em outros anos. Em tempos em que a crise também se enraíza na cultura, e nos pedem para consumir o que é nosso, faz todo o sentido apoiar quem mostra a outros mundos o tambor lusitano, os seus toques e compassos, as nossas tradições.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

praga

A campanha eleitoral cerca-me. Bem me tento desviar dos seus tiros certeiros mas não consigo, eles estão em todo os jornais, nas rádios, nas televisões, nos debates, ora a falar, ora a berrar. Já lhe conheço os tiques todos, os crescendos de voz, as bandeiras agitadas, o vazio de conteúdos das propostas, o falso popularismo. A novidade, é que apesar da certeza de um único trilho certo imposto pelo FMI, os manequins que andam para aí a fazer campanha, alheiam-se disso, e continuam a assobiar para o lado, e mandar umas bocas uns aos outros. Para tristeza minha, o uso destes métodos não perdeu o seu efeito, pois pelo que escuto nos debates que vão por aí, o povo português, é de péssima memória, e alinha nisto como se a coisa fosse uma espécie de campeonato de futebol. Ou seja, a malta não vai votar em consciência, coisa nenhuma. São as papas e os bolos. Eu, pela minha já manifestada posição de chega e basta, e usando um pouco, o mote do belíssimo texto de Oswaldo Montenegro - Metade, por aqui deixo o meu lamento - se todos pensassem como eu penso, os parasitas que nos governam, não ganhariam mais um tostão dos meus impostos, porque metade de mim não votaria na metade que vai à frente nas sondagens, e a minha outra metade, também não votaria, na outra metade que se segue. Porque metade de mim é desilusão, e a outra metade, saturação.

prometido e devido



E não é que não parou de chover toda a manhã!!!

Estava prometido, fui a banhos, era água por cima, e por baixo!