Em 16 de Abril, aqui escrevi sobre os ridículos. Razão tinha eu, e não tenho dúvidas, muitos tugas partilharam esta opinião de que estas manobras não passavam de foclore como se verificou. Gastou-se a módica quantia de seis milhões de euros, para nada. Podemos questionar a sanidade mental de quem ordena esta espécie de acção de perfil muito mais com ar bélico do que de paz. Para resgatar pessoas a um país alheio, não se mandam mil soldados e barcos de guerra. Podemos contudo congratular-nos de terem as nossas forças bélicas regressado sem um tirinho no convés, dado que como se sabe, a Guiné, não deixa de ser um país soberano. Ficaram os militares mais ricos, e Portugal mais pobre. Decerto que os guineenses, os tugas na Guiné, que nunca pediram para regressar, a comunidade em geral, se estarão a rir desta excursão a Cabo Verde.
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quarta-feira, 16 de maio de 2012
terça-feira, 8 de maio de 2012
Ignorantes
O dono do Pingo Doce ignorava a promoção de há oito dias. O Presidente do país, ignora, porque não viu, e por isso não fala. Ignoram os que mandam as incómodas notícias que atestam o galopante número de mortes, por suicídio, motivado pela crise; súbitas, provocadas pela crise, lentas, de desgaste, resultado da crise. Para estes ignorantes, é-lhes tão cómodo não saber, como incómodo é, admitirem que sabem. Viram a cara para o lado, quando alguém lhes atira com os números, porque para estes, na verdade, é o que somos, números. Não somos, vida, passado, presente e planos de futuro. Não somos família, não somos...gente. Somos um número que paga até não mais conseguir. Quando um número deixa de o ser, a operação aritmética não fica por ali. Outros números, os próximos, também correm o risco da subtracção. Não adianta mudar de canal, nem deixar de escutar o rádio. Isso é ignorar. E ignorar, para além do mal que por si só constitui, é ofensa. É cobardia. É crime.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
os ridículos

Certamente foi de Paulo Portas, a ideia. Se já nos deslumbrou com os submarinos, eis que aparece um pretexto para brincar ás forças armadas com o dinheiro dos outros. Se a ideia não é dele , decerto que outros iluminados existem na esfera política e militar, danadinhos por dar nas vistas e fingir que se faz qualquer coisa - dada a actual situação na Guiné-Bissau, aqui da capital do reino, a acção não se fez esperar, e vai de mandar bélicas embarcações para resgatar os indefesos lusitanos em terras de África. Contudo, a montanha nem sequer pariu o rato. Os portugueses da Guiné, já vieram dizer que não senhor, que estão lá muito bem, e doidos seriam em regressar a uma pátria, esta sim em guerra, mas uma guerra muda e cínica, contudo, implacável. Para dourar a pílula, sabe-se que mesmo que houvesse um tuga a pedir regresso, não poderiam as nossas modernas caravelas entrar nas águas da Guiné... Ridículo, precipitado e imbecil, se prova este pseudo-acto de resgate. Se realmente estes políticos querem resgatar portugueses em débil situação, então que os recolham nas grandes cidades europeias, na sopa dos pobres, e para isso não precisam de navios de guerra, submarinos, nem de publicidade. Basta a vontade de fazer algo de verdadeiramente útil por quem, por culpa desses mesmos políticos, se viu forçado, em desespero, a sair do seu país.
sexta-feira, 30 de março de 2012
ora agora cantas tu, ora agora canto eu
Estou aqui de volta das minhas papeladas, e como audio de fundo, escutando o debate na AR. Nesta troca de bola feita palavra, dos vários oradores, vem-me sempre a figura das desgarradas, onde predomina a rima e a deixa para o cantor seguinte. Na AR é parecido, mas com demagogia, bota-abaixo, e elevação da voz no final, à laia de deixa. E no final, as palmas.segunda-feira, 19 de março de 2012
torto por linhas tortas
A semestral visita de rotina ao doutor, os exames e as análises, levam-me aos locais do costume. No corropio, começo por estranhar a disponibilidade na obtenção da consulta, depois nas marcações dos ditos exames, quando me dirijo ao guichet outrora sempre apinhado, e agora meio às moscas, e porque num destes natais toquei para aquela maralha toda da clínica, brinco - então meninas, há menos doentes, ou a crise já chegou aqui? Crise, veio a resposta em coro. Com efeito, as incisivas medidas deste progressivo governo tem afastado as pessoas, dos locais onde, supostamente, lhes tratariam da saúde, mas como não há dinheiro, morre-se mais rápido. E algumas meninas temem ser dispensadas, se assim lhes faltarem as marcações, Caso para dizer que estamos em vias de nos podermos comparar com os timings de espera, nos locais onde se trata da saúde, de países desenvolvidos tais como o Luxemburgo, ou os países nórdicos. Com resultados práticos opostos. mas isso não interessa aos que se dizendo "sociais" e "democratas" não olham a meios para atingir os seus fins. Temos pois, como resultado, o fim de muitas listas de espera por KO. Porque como diz o outro, a malta é piegas, e ele, que não o é, tudo fará para ser um bom pau-mandado, custe o que custar.sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
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Como apelidar quem, - tendo sérias responsabilidades neste país, andando num constante vai-vem de visitas, inaugurações e eventos, se desunha a debitar discurso nas redes sociais, e se anda sempre a pronunciar, muitas vezes apenas para dizer que não se pronuncia - de repente cancela uma visita a um estabelecimento de ensino, onde por acaso, e apenas por mero acaso, um outro ex-responsável deste país foi vaiado? E nem uma palavrinha nos microfones, ou um mero texto na net. Digo eu, que na minha terra esta atitude, é vista como meter o rabinho ente as pernas ou fugir com o rabo á seringa. Covardia, talvez seja a palavra, antes e depois do acordo ortográfico.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Palhaçadas
Vir dizer aos portugueses que há feriados em excesso, que há que trabalhar mais, que na Europa que funciona, não existe este regabofe de folgas, pontes e afins... tudo bem. Concordo. Sempre achei que em Portugal se trabalha e se descansa ao ritmo e padrões do hemisfério sul.Vir dizer aos portugueses que para o ano, não haverão estes e aqueles feriados, bem como não haverá tolerância de ponto no Carnaval... tudo bem. Se é para o bem da nação... que seja.
Vir dizer aos portugueses, a duas semanas do Carnaval, que não senhor, tolerância zero, revela das duas uma, ignorância ou sacanice.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
custo zero
Passos Coelho diz que custe o que custar os objectivos da troika são para cumprir. Percebo-o. Afinal seria como eu dar uma grande festança no meu quintal, e no fim enviar a conta ao meu vizinho, e pedir-lhe para limpar os restos. A lata, impune e descarada com que esta gente da política, se vem associar ao sacrifício dos outros, chega a ser obscena e nojenta. Pior que tudo, é que nada disto será solução. Quem se baseia em dados não demagógicos já nos traçou o caminho - o grego. Como feitos, estes que lá estão, não esquecendo os que lá estiveram antes, poderão dar como adquiridos - os recentes milhares de suicídios, o aumento galopante do desemprego, o recorde de casas entregues aos bancos, as falências, e os assaltos. Terão como certo também, estes e os outros, a responsabilidade na tentativa de extinção dos portugueses, dado que se uns se matam, outros, morrem de fome, tristeza ou solidão, bem como outros não chegarão a nascer, porque muitos jovens deste país, não são malucos ao ponto de trazerem crianças ao mundo para (sobre) viverem numa lixeira. Mais que verdadeiros homens do lixo, estes nossos carrascos, são excelentes cangalheiros.quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Os Aníbais do pós25
Aníbal, mais uma vez não surpreendeu. Reincidiu. Repetiu-se na arte do acto - ou entra mosca ou sai asneira. Pela parte que me toca não me sinto indignado ou ofendido pelos lamentos presidenciais de que a massa, não lhe chega. Faça como eu. Faça como todos nós, e gaste menos. Saia da lista dos presidentes caros em país pobre. A minha indignação não se prende a palavras. Ela vai muito mais longe e é de longa data. Pois são os actos, e feitos deste senhor que por aqui anda há mais de três décadas que me danam. Claro que ele não está sozinho na culpa. Culpados são todos os que dominam as cadeiras parlamentares, e daí controlam as suas ramificações ao poder autárquico, com particular culpa aos de esquerda, porque a estes lhes caberiam as responsabilidades da mulher de César, e na diferença entre as palavras e os actos, como tão bem apregoava Cunhal, a esquerda é tão ou mais capitalista nos feitos, como se auto-apelida de esquerda nas palavras que o vento leva. Culpados somos todos nós que os deixamos por ali gravitar desde que nos disseram haver democracia. Mas não há. Havendo, certamente que não haveriam ricos e pobres. A receita parece estar na pacata Islândia, onde políticos e responsáveis pela falência do país foram responsabilizados e julgados. Certamente que será mais uma palavra dificílima, mas muito gostaria de saber como se diz tomates em Islandês. Eles têm-nos.
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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
tdt, ou, este país não é para velhos II
Se souberem o que vão provocar, estamos perante uma valente sacanice. Caso não o saibam, é mais outra atitude a somar às tantas outras, que se tomam, com o único fito dos lucros obtidos por parcerias e negociatas duvidosas. Escrevo sobre os decisores do anunciado apagão, a acontecer esta semana. Já os entendidos vieram à praça pública falar do quanto vergonhosa e até de contornos ilegais é esta atitude, mais uma vez a contrastar com o que se pratica na tal Europa, na qual nos dizem estarmos incluídos. Se já é dramático o que está a acontecer aos nossos velhos, com os cortes que estão a levar na área da saúde, com as reduções nas reformas, e possíveis aumentos de rendas, vão a partir desta quinta-feira, muitos dos nossos velhos, cuja única companhia é a também velha televisão, andar às aranhas, porque isto das caixas tdt's e afins é muito giro para certos entendimentos, mas vá-se lá explicar a um velhote de oitenta anos que tem de ligar o cabo de vinte-e-um-pinos, na entrada euro-av, seleccionar a fonte source, e operar tudo a partir da nova box, e blá-blá-blá, e quando tudo está feito, o coitado do velhote, carrega na tecla errada e lá fica sem imagem. Isto para não falar na possível necessidade de adquirir e montar uma antena exterior, caso aquela coisa de arame dos anos oitenta não funcione, a custos não muito simpáticos, já que de há uns meses a esta data, nem vale a pena pensar em esticar o dinheiro para os remédios. Se fico sem ver televisão, morro de tristeza, disse-me o Ti'Tomé, homem que tendo enviuvado há uns anitos, e cujos filhos pouco o visitam, tem como única companhia, a velhinha televisão, que esta semana se apagará, porque o dinheiro se lhe foi. A troika que esteja atenta aos lucros das agências funerárias, pois com estas rasteiras todas, muito velho vai cair, e não mais se levantará. Outros, como já tomei conhecimento, provocam a queda. E estão no seu direito. Porque os velhos também têm dignidade.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
troikadas IV

E foi hoje a gota de água. O ponto final nos pequenos almoços,por sistema, fora de casa. Acabaram-se os galões, e as meias de leite, os chás e as torradas. Nem o módico pão com manteiga vai resistir ao meu antecipado e previsível decreto de boicote ao aumento do imposto de valor acrscentado. O motivo, também ele previsível - hoje, ao pagar a torradita e o galão apercebo-me que a troika já se fez notar no preçário. É com pena que me despeço das curtas tertúlias matinais, e do cheiro doce da cafetaria, mas tal como para os males existem os remédios, deverá algures existir o ditado do tipo, não coma fora, se pode comer em casa, ou algo parecido. E um pequeno almoço em casa é coisa de pouca mestria. Se daqui a algum tempo esta minha atitude, que, presumo, será adoptada por muita gente, somada ao retorno da marmita, provocar despedimentos e falências na restauração, lamentarei. Mas primeiro tenho de tratar dos meus trocos. Não se trata de poupá-los, mas sim de não gastar aqueles poucos que se vão tendo para gastos.
sábado, 17 de dezembro de 2011
Lata
Se não os conhecesse (forçasamente) de há anos a esta data, eu diria que o casal presidencial que ontem divulgou a sua mensagem de Natal ao seu povinho, tinha acabado de aterrar aqui, de improviso, vindos numa nave de longínquas galáxias. Ou então, eles não entendem o que se está a passar, o que é grave. Ou então sou eu que não entendo, o que, sendo grave, é-o menos. Ou talvez lhes tenham pedido para dizerem aquilo, assim como para parecer bem, porque afinal presidente tem de botar palavra. Ou, e nem quero pensar nesta hipótese, estão a mangar com a malta. Algumas pérolas do discurso(sic): festa de família, parar um pouco - certo Senhor Presidente, mas apenas para algumas, as outras andam sem norte, desmembradas, desalentadas, sem futuro, nem dinheiro, nem vontade. Parar um pouco? Parados já eles estão... Solidariedade, partilha - sempre se disse que o exemplo vem de cima. Que tal reduzir os gastos da máquina presidencial, que segundo se diz por aí, em matéria de despesa só encontra rival lá para a realeza britânica. Da partilha nem vê-la. Todo o Estado, nos sorve em impostos, a partilha que não pedimos. Assim foi e assim será. Considero um insulto vir alguém da política, falar-me em partilha e solidariedade. A minha solidariedade e partilha, demonstro-as todos os dias, semanas e meses. Desemprego, coragem - é fácil de falar, fica bonito, caridoso até, mas gestos que denunciem uma intenção de mudar a agulha, nem um. Que coragem querem incutir nos desempregados de longa duração, aos quais se juntam todos os dias mais desempregados, perante as previsões cada vez mais negras? Bem, talvez seja coragem para cometer o suicídio... futuro melhor - não duvido nada. O deles. É ao qual me refiro. No fim de ter escutado aquela mensagem, só me saiu isto - ganda lata.quarta-feira, 9 de novembro de 2011
a piada do mês
Cavaco, que, segundo se diz, gasta menos que a raínha da Inglaterra, mas mais que a casa real espanhola, decerto deve levar uma bela comitiva aos Estados Unidos, com despesas pagas, sabemos por quem. Diz este eloquente orador ser sua missão corrigir a imagem distorcida de Portugal no estrangeiro. E eu questiono-me. Quiçá, não sou o único. Como pode uma pessoa que não consegue corrigir a sua distorcida imagem, dada a ausente unanimidade, dentro do seu cantinho lusitano, dar-se estes ares? A única coisa que Cavaco vai fazer, mais uma vez, é gastar, dado que pouca importância, atenção ou credibilidade lhe darão. Serão, quanto muito, educados e protocolares, acenarão com a cabeça um pois-pois-cantas-bem-mas-não-me-alegras, entre dentes, e nada mais que isso, porque ao contrário dos portugueses, os camónes, não têm memória curta, logo, a haver correcção, esta teria de ser retroactiva, e caseira. Só depois da casa arrumada, se iría reclamar a imagem e claro, sem tanta gente atrás, nem tanta publicidade.domingo, 16 de outubro de 2011
consenso
Tento, sempre que posso assistir a este programa. Umas vezes gosto, outras nem por isso. Umas vezes concordo com o que se diz, outras nem tanto. Mas isto é um pouco como na música e tudo o resto - umas vezes melhor, outras vezes pior. O episódio de ontem, cuja repetição assisti há bocado, teve uma parrticularidade rara, talvez única, a unanimidade em torno da nossa actual situação política, e suas consequências. O que, aparentemente podendo ser um bom sinal, é um sinal péssimo, no sentido em que mesmo os comentadores mais chegados à cor política que nos manda, admitem a cegueira dos mesmos, e a conclusão de que, caminhando assim, o país fechará as portas em poucos anos. Não se trata de pessimismo, trata-se de leituras de factos, e de números, juntamente com a certeza de que nada está a ser feito a fim de contrariar este rumo. Preocupemo-nos. Mesmo aqueles que aparentemente estão bem, aconchegados nos seus dividendos bancários.sexta-feira, 14 de outubro de 2011
sabedoria de velho
Hoje no pequeno almoço, as velhas residentes não se calavam com os comentários ao discurso de Passos. Tantas foram as opiniões, sentenças e prenúncios apocalípticos, que os restantes presentes, não o estando, ouvindo estes argumentos, depressa ficaram apreensivos. Eis que, elevando a sua voz, no coro das velhas, a D.D,velhinha enxuta, na casa dos oitenta, dispara - crise, mas qualquer crise? no meu tempo é que havia crise, enquanto encherem os hoteis no Algarve e na Serra da Estrela, e os hipermercados estiverem cheios, não há crise, acho muito bem o corte nos subsídios, era tudo dinheio mal gasto. Calou-se a D.D, ficaram as velhas a abanar a cabeça, e outros como eu, a pensar que mesmo não estando certa, a D.D também não está errada.terça-feira, 11 de outubro de 2011
novas ditaduras
Tal como na história de Asterix com Cleopatra, que, diz-se tinha um nariz sedutor, onde a bela rainha leva todos os louros por ter erguido obra, os nossos governantes já se pavoneiam sobre a sua obra feita, a qual ainda nem saiu do adro. A fim de agradarem aos bancos, às agências, a Bruxelas, e ao raio que os parta, os do governo dos 100 dias, já cantam feitos. Porque é fácil mandar, ordenar, decretar, explorar em nome de causas alheias, aos verdadeiros obreiros, a saber, os escravos, no tempo das pirâmides, e nós, contribuintes, nos dias de hoje. É simples, a aritmética de sugar 10, quando se descobre que 5 não chegam. Só que, antes como, hoje, ou no passado recente, são sempre os mesmos, os escravos, que deixam de ter a sua vida em benefício dos que mandam. Não me fico apenas por afirmar que não lhes custa nada, a estes novos ditadores de colarinho de marca, decretar mais aumentos de impostos, a fim de tapar os buracos e desgovernos que eles mesmo causaram, com proveitos partidários. Afirmo que estas medidas são uma cobardia, e um pontapé para a frente totalmente às cegas. Porque, certo é, assim não vamos lá. Vamos cair.É de Salazar a frase - se soubesses o que custa governar, gostarias de obedecer toda a vida. Pois bem, a ver com eles todos se agarram às cadeiras do poder, salvo honrosas excepções, dá para ver que os coitadinhos gostam de sofrer. Por mim, não me importava de governar uns tempos, a ver se me conformava em obedecer. Agradecido. Após o exercício à governação.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Pátria que nos pariu
Já escutei de voz avisada e esclarecida que a implantação da República não passou de um golpe de estado, o que, assim sendo não legitimaria a mesma. Pessoalmente não sou contra nem a favor de um viva o Rei, no entanto, para verbo de encher já nos chega o Aníbal e as suas considerações sobre o sorriso das vacas dos Açores.Olhei há pouco para a televisão, e lá está a procissão das ?comemorações?, como sempre esteve, como sempre me acostumei a ver desde os anos sessenta. O que mudou? bem, antes a tv era em caixa de madeira, e a imagem a preto e branco. Claro que os senhores, eram outros. Outros que não estes, mas estes, tal como os outros, sugam-nos. O festival deste tipo de dias, tem sempre o mesmo conteúdo, e a mesma inércia, são os políticos que se exibem nos seus carros de 150mileuros, com discursos de circunstância, e ar solene; são os intocáveis militares, que para nada servem, autênticos submarinos a la portas; são as personalidades convidadas, estes também de ar grave e sério; tudo pago sempre pelo mesmo otário - nós. Os discursos são enfadonhos e da treta. Mais valia que o dinheiro que está neste preciso momento a ser gasto com a cerimónia fosse entregue a um qualquer hospital, numa demonstração inequívoca de um sentido determinado de mudança, e de dar verdadeira utilidade pública aos dinheiros que nos são extorquidos. Porque a malta está-se cagando para estas efemérides tipo 10 de Junho. Quem duvidar do que digo, que faça um referendo.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
maioria absoluta
Desejo-lhe a vitória. Que ganhe, e com maioria absoluta. Tal como desejo que os homens da troika o possam assim responsabilizar por todas as falcatruas que tem feito. Muito injusto seria, o gajo sair de fininho, meio herói, meio vítima, e ficarem outros com a batata quente na mão. Seria mais um Sócrates, um Durão Barroso, um Constâncio, um Guterres...sábado, 1 de outubro de 2011
o Triunfo dos Porcos...
... foi o que me veio à mente, ao ouvir a notícia de que a nossa Justiça prendeu um conhecido pesonagem, para depois o libertar, quem sabe, agora com direito a exigir compensação. Creio que não restam dúvidas à mesma Justiça quanto aos crimes deste personagem. Mas como Justiça e Poder sempre se entenderam, lá apareceu o buraquinho legal e salvador.Em tempos, coloquei em tribunal uma senhora, por me ter emitido um cheque sem provisão. Por três vezes, a dita senhora não compareceu ao chamamento da lei, pelo que o juíz ordenou que se detivesse a senhora por ocasião da quarta tentativa de julgamento. Acontece que quem foi detido fui eu. E apenas não o fui na véspera porque me valeu ser conhecido pelo comandante do posto da GNR, que me permitiu que me deslocasse no meu carro para aí ser formalmente detido, e conduzido ao tribunal. Isto sem eu saber do que se passava. Não vou aqui enunciar o que me passou pela cabeça no espaço de tempo entre ver o meu nome a letra vermelha, antecedido da palavra de arguido, e o momento em que sou presente ao juíz. Depois de umas horas, que me pareceram uma eternidade, enfim o alívio, pelas palavras do magistrado que ao me mirar de alto a baixo, barafustou com alguém - mas eu mandei deter uma mulher, não um homem. Resumo, alguém trocara os nomes no processo. O esclarecimento do doutor juíz foi claro, junto com o pedido de desculpas, em nome na máquina judicial - o senhor pode acionar o Estado, mas não obterá mais que outro pedido de desculpas.
Veremos o que virá por aí quanto ao mediático personagem. Talvez lhe caibam mais uns milhares de euritos para colocar lá na Suiça. Eu fiquei-me pelo recebimento do valor do cheque, seis meses mais tarde, pagos pela arguida, por ocasião da 5ª data de julgamento.
...
"all animal are equal but some animals are more equal than others"
in Animal Farm"
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
homens e obras
Leio um pequeno apontamento numa revista, e relembro as palavras do meu avô - o Salazar vai deixar obra feita, estes, os comunas vão deixar o país na miséria. Bem, nem tanto ao mar nem tanto à terra. O apontamento referia que Salazar mandou recuperar e reconstruir muitos monumentos históricos, na determinação de preservação do património histórico, afinal, os testemunhos dos muitos anos deste país. Dois desses monumentos, coincidentemente, visitei-os no passado domingo - a Sé e o Castelo de São Jorge. Não pude deixar de pensar que, alargando o conceito de comuna, aos ditos, e à cambada dos outros partidos que se têm sentado em São Bento desde 1974, e julgando pelos exemplos dados desde essa data até hoje, que muito bem fez Salazar ao recuperar o Castelo, um dos ex-libris da cidade, porque estes de quem falo, certamente o venderiam aos bocados, e no espaço deixado, decerto se ergueria um mega-centro-comercial. Não que eu defenda o Oliveira Salazar, mas neste caso não existem opostos. Invocando novamente o meu saudoso avô - não é porque uma merda cheira menos a merda que outra, que deixa de ser merda.
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