domingo, 31 de outubro de 2010

Conclusão


Depois do patético discurso, com tantas pérolas dignas de caricaturas à Bordalo, ou à Eça, com reforço ao ridículo, e a cheirar a falso - após profunda reflexão, decidi recandidatar-me. Discurso esse, pautado pelo constante out-timing das realidades e necessidades nacionais, e uma mescla de narcisismo, com falta de modéstia, e convenhamos, auto-elogios infantis, um gaba-te cesto obsceno.
Depois disso, e somando umas tantas opiniões sobre o tema, que escutei no último Eixo do Mal, cheguei à conclusão que, atendendo ao tempo em que aturamos o homem ; ao que ele finge e parece ser, mas afinal não é ; à obra que deixa(?) ; ao que fez quando e se comparado com outros espécimes de condição idêntica ; à observação do mistério do porquê de tanta longevidade em cima do poste - concluo que, Cavaco Silva está para a política, assim como António Manuel Ribeiro está para a música.

sábado, 30 de outubro de 2010

a caixa mágica

Foram muitas as moedas que coloquei naquela juke-box no café do Senhor Américo, irmão do Simões do Benfica, um dos meus cromos da bola, das minhas quase nunca terminadas colecções. Eu idolatrava aquela caixa mágica onde por uma moeda, se clicava no hit e viamos saír o disco para ser tocado. Por vezes não havia a moeda desejada, e ficava-me por ali na esperança que alguém aparecer e mandar vir uma música. Com o passar do tempo, e porque o Sr. Américo não renovava o reportório, fui conhecendo, um por, os EP's da caixa. Se a uns, a grande maioria, os esqueci, a outros, não deixei de os escutar, e tocar. Este é um deles. E mais tarde, comprei-o na Melodia, no Chiado, um EP que tinha além desde tema, o these arms of mine e o I've been loving you too long. Mais tarde, o Télinhos, falso-amigo, roubou-mo, mas não roubou o prazer das viajens que faço quando escuto esta música.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Já comecei a pedir ao pai natal - II


Escapadelas


Talvez tenha sido o jantar do núcleo duro, que tenha acabado mais cedo. Eram cerca das 23 quando nos separámos porque eu teria de me levantar pelas cinco da matina, com o consequente e constante estado de bocejo em que me encontro. O motivo madrugador, uma boa causa. Levar o filho e um amigo ao aeroporto, rumo à terra das túlipas. No momento do dever cumprido, deu-me aquela nostalgia das viajens, com direito até à saudade da espera nas filas de check-in, e todo aquele ritual que antecede, o momento de sentar o rabinho na aeronave, apertar o cinto, e levantar voo daqui. Os assuntos, os assuntinhos, a vida e a vidinha, os problemas e as preocupações, que fiquem em terra, pois de regresso, certo é que não se foram. Uma vez no ar, com o pensamento em outros horizontes, somos senhores dos nossos momentos. Aqueles que vamos viver, aqueles que, uma vez vividos, ninguém nos pode tirar.
...
Acabo de saber que já chegou, que lá não chove, e aqui chovem cães e gatos. Lisboa está inundada, e a terra dos diques,não. Até por isso, pelas diferenças, viajar é preciso. Sinto-me feliz por ele.
A vontade de pisar aquele espaço que nos leva a outros rumos, essa aumentou. Tem paciência, Sputnick, só faltam mais uns dias, e mais uma hora, porque domingo, os relógios atrazam, aumentando sessenta minutos o teu estado de, em pulgas.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

do Leste, com amor (ou de Sudoeste)


Conheço o Sr.L há uns bons quinze anos. É pessoa cuja casa lhe visitei, umas quantas vezes por via do meu ofício. Casa não, mansão, um casarão, numa quinta, plena de árvores, alguma vinha até, um lugar bonito. Conheço-lhe a mulher, filhos, um deles com uma deficiência profunda, a precisar atenção constante, que sempre observei nos momentos que presenciei.
Hoje, o Sr.L, visitou-me, acompanhado de uma lustrosa rapariga com cabelos cor de sol, um decote mais que generoso, e um traje de se lhe tirar o chapéu, ou o gorro, se na terra dela. A pronúncia denunciava-lhe a origem, os olhares matadores, a pouca fidelidade. Definitivamente, esta não era a senhora L, nem pelo aspecto, nem pela idade, nem pelo resto.
Preciso dos seus serviços - diz-me o Sr.L, entre uma mistura de comprometido, vaidade, e pedido de cumplicidade, a que só faltou a tradicional piscadela de olho - é na morada da menina, não na que você conhece, quando estiver a chegar ligue-me.
Dito e feito, ligo, e antes do toque, ou misturado no toque, um forró invade-me o ouvido. No aposento, lá estava o Sr.L, em pose, pareceu-me de defender a sua fêmea, ou, arrisco, defender-me do arremesso do decote, do olhar e do que mais se veria.
De saída, em conversa com o Sr.L, fico-me pelo hall uns instantes. Os necessários para que uma porta se abrisse, uma criança saisse, e dissesse ao Sr.L - pai.
Palpita-me que o Sr.L se tornou acionista, de alguma casa de meninas, aqui da zona. Aquele "pai" e o forró, deixaram-me a modos que desconfiado.
De regresso lembrei-me se o filho, aquele filho do Sr.L, ainda merece os mesmos cuidados. Do Pai.

She

Ouvi-la, emociona. Toca-la, sente-se aquele arrepio, na espinha...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

My Own Love Song (2010)

Vi e gostei. Delicioso. Recomendo.