sexta-feira, 11 de maio de 2012

Sinais

Recebo um documento comercial. Vinha da Holanda, e não de Paço d'Arcos como sempre fora até ali. Por curiosidade ligo ao representante da empresa em causa, e pergunto: Holanda? Então? Ordens lá de cima, pá, responde-me.Os gajos dão como certo que Portugal, mais cedo do que se pensa vai saír do Euro, e eles não querem arriscar. Para bom entendedor...

terça-feira, 8 de maio de 2012

Ignorantes

O dono do Pingo Doce ignorava a promoção de há oito dias. O Presidente do país, ignora, porque não viu, e por isso não fala. Ignoram os que mandam as incómodas notícias que atestam o galopante número de mortes, por suicídio, motivado pela crise; súbitas, provocadas pela crise, lentas, de desgaste, resultado da crise. Para estes ignorantes, é-lhes tão cómodo não saber, como incómodo é, admitirem que sabem. Viram a cara para o lado, quando alguém lhes atira com os números, porque para estes, na verdade, é o que somos, números. Não somos, vida, passado, presente e planos de futuro. Não somos família, não somos...gente. Somos um número que paga até não mais conseguir. Quando um número deixa de o ser, a operação aritmética não fica por ali. Outros números, os próximos, também correm o risco da subtracção. Não adianta mudar de canal, nem deixar de escutar o rádio. Isso é ignorar. E ignorar, para além do mal que por si só constitui, é ofensa. É cobardia. É crime.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

se tudo fosse assim tão simples...

... ou tão fluído. Quando me propus executar o tema solamente tu do Pablo Alboran, disse-me dezenas de vezes, não ser capaz. O tema é por demais íntimo e pessoal, dotado de um cunho único, que só o autor consegue transmitir. De tanto o gostar, de tanto o escutar, entrou-me cá dentro. Decorei-o. Senti-o. Existe uma grande diferença entre tocar e cantar sentindo, e o exercício do mesmo acto, apenas no plano da execução mecânica, termo que detesto, usado pela SPA. De tanto cantarolar e tocar, apresentei-o em prova real, a medo, não me fossem falhar os floreados da voz, o sotaque, os dedilhados, as transposições. Ganhou o sentir. E quem escuta nota a diferença. Saiu tão bem, que houve direito a bis. Atrevo-me agora em outras águas, na calha estão Zorro do António Zambujo, e anda comigo ver os aviões dos Azeitonas. O prazer de aprender com êxito é algo de muito gratificante. Surpreende até a forma com que as portas da harmonia se vão abrindo, como se abrem os caminhos dos segredos do corpo da mulher que sentimos. Se os outros poréns da Vida, fossem assim tão simples de conquistar...

domingo, 6 de maio de 2012

a Mãe e a prendinha

Não podia hoje, porque sei que lá no íntimo ela esperava um mimo, nem que fosse um telefonema, deixar de ter em atenção ao dia da Mãe. Crises aparte, a questão é esta, o que oferecer a uma pessoa que durante anos devorou milhares de páginas das centenas de livros, que ainda hoje lhe preenchem uma divisão da casa, mas hoje pouco consegue ver. Do mesmo modo, um bom filme estava fora de questão, pelo mesmo motivo. Uma peça e roupa talvez, mas não. Felizmente, tem de sobra as vestrs que a aconchegam. Bujigangas para a casa nem pensar. Amontoam-se por lá. Do que ainda vai restando e que lhe permite uma boa qualidade de vida, para além da total lucidez, é o apetite, e vai daí ficou resolvida a questão. Uma visita, com direito a recordação dos locais que outrora visitou, uma boa porção de mexilhão acabado de apanhar nas límpidas águas da Arrábida, fez o milagre da felicidade deste dia. O meu e o dela. As melhores coisas da vida têm estes preços simbólicos. Está feliz e confortada, com tão pouco, a minha mãe. E eu aqui, também, ainda a recordar, o terno - obrigado, meu querido, já dito na saída.

sábado, 5 de maio de 2012

as Mães



Por acaso calhei a escutar, e ver, grande parte da entrevista que Helena Sacadura Cabral concedeu ao programa Alta Definição e se já era fâ da pessoa, mais fiquei. Entre muitas coisas boas que escutei, umas sérias, outras divertidas, consolidou-se ainda mais a conclusão esmagadoramente óbvia, a de que nenhum filho devia partir antes dos seus pais. Seguramente que grande parte daquela força, se esvaneceu com a recente perda. Porque Mãe, e só a Mãe pode dizer e sentir de igual forma. Aqui deixo o meu respeito e admiração a todas as mães, em particular à duas que decidi partilhar neste cantinho. Sim o puto sou eu.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

pacóvios

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No seguimento do post anterior, aqui vai mais uma invocação - dizia o meu avô que Portugal era um país lindo, pena era, ser tão mal habitado. Conhecedor dos sete mares, suas gentes e seus costumes, certamente que sabia este avô do que, e de quem falava. A imagem de cima vale mais que mil palavras. Ilustra a nossa pobreza, falta de personalidade e de carácter. Culpados, somos todos nós. Desde aqueles que desde há mais de três décadas impõem a ditadura da distribuição em Portugal, aos pacóvios que nos seus tempos de lazer, entopem os espaços comerciais. Pacóvios esses, muitos deles, hoje a coçar a cabeça, na tentativa de arrumar as compras de ontem, e na interrogação de como vão fazer para tapar o buraco do dinheiro que gastaram, mesmo que pela metade. Muitas papas e bolos, deve esta gente ter comprado.

terça-feira, 1 de maio de 2012

sempre diferentes

Longe vão os tempos em que a minha avó, tendo paredes meias com a habitação, a sua lojinha de roupas, trapos, linhas, agulhas, dedais, e outras coisas mais, atendia uma cliente às escondidas em dia de feriado, não fosse a gnr aparecer. O medo e o respeito misturavam-se, no ilícito acto de desprezar o feriado. Fosse ele religioso, e o sentimento agravava-se ainda mais. Com os tempos da liberdade, veio também a liberdade de flexibilizar horários e dias de funcionamento comercial. Miguel Esteves Cardoso, chegou a defender, nos anos 80, um no stop da actividade. Dizia MEC que ao consumidor lhe deveria assistir o direito de ter à sua disposição tudo, a toda a hora e em todos os dias. Bem, não ficámos tão modernos como o MEC pretendia, mas mesmo assim ficámos muito modernos. A abertura é geral. Resistentes à modernice foram ficando o dia 1º de Maio, e o dia de Natal. Por pouco tempo, contudo. Hoje, dia consagrado ao respeito pelo trabalhador, e apesar dos apelos nas redes sociais ao boicote da compra, os parques de estacionamento encontram-se repletos. A consciência do significado do que representa este dia, é de longe esmagada pelo apelo ao consumo. Assim é este meu país moderno, que mais uma vez contrasta, com a restante Europa, plena de países antigos, que à moda antiga, respeitam os domingos e feriados. Deve ser um tédio viver nessas arcaicas nações. Então o que será que a malta faz nesses dias?