segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

tdt, ou, este país não é para velhos II

Se souberem o que vão provocar, estamos perante uma valente sacanice. Caso não o saibam, é mais outra atitude a somar às tantas outras, que se tomam, com o único fito dos lucros obtidos por parcerias e negociatas duvidosas. Escrevo sobre os decisores do anunciado apagão, a acontecer esta semana. Já os entendidos vieram à praça pública falar do quanto vergonhosa e até de contornos ilegais é esta atitude, mais uma vez a contrastar com o que se pratica na tal Europa, na qual nos dizem estarmos incluídos. Se já é dramático o que está a acontecer aos nossos velhos, com os cortes que estão a levar na área da saúde, com as reduções nas reformas, e possíveis aumentos de rendas, vão a partir desta quinta-feira, muitos dos nossos velhos, cuja única companhia é a também velha televisão, andar às aranhas, porque isto das caixas tdt's e afins é muito giro para certos entendimentos, mas vá-se lá explicar a um velhote de oitenta anos que tem de ligar o cabo de vinte-e-um-pinos, na entrada euro-av, seleccionar a fonte source, e operar tudo a partir da nova box, e blá-blá-blá, e quando tudo está feito, o coitado do velhote, carrega na tecla errada e lá fica sem imagem. Isto para não falar na possível necessidade de adquirir e montar uma antena exterior, caso aquela coisa de arame dos anos oitenta não funcione, a custos não muito simpáticos, já que de há uns meses a esta data, nem vale a pena pensar em esticar o dinheiro para os remédios. Se fico sem ver televisão, morro de tristeza, disse-me o Ti'Tomé, homem que tendo enviuvado há uns anitos, e cujos filhos pouco o visitam, tem como única companhia, a velhinha televisão, que esta semana se apagará, porque o dinheiro se lhe foi. A troika que esteja atenta aos lucros das agências funerárias, pois com estas rasteiras todas, muito velho vai cair, e não mais se levantará. Outros, como já tomei conhecimento, provocam a queda. E estão no seu direito. Porque os velhos também têm dignidade.

domingo, 8 de janeiro de 2012

O cantinho



Costumo chamar-lhe guitarrário , ou pomposamente, estúdio, que o não é de todo. Seja lá o que for que lhe chame, tem sido, desde que o construí há cerca de três anos, o local onde, em casa, me perco nas horas, seja de volta das fotografias, ou no prato principal - de uma nova música, ou no simples prazer de tocar, ao sabor das vontades. Além de local ancoradouro, é também o depositário de testemunhos, que se espalhavam pelas gavetas a armários, de um trajecto de perto de meio século em volta da música, tamanhas são a devoção e a idade. Defendo quem defende que nos devemos rodear de quem gostamos, como não abdico de me rodear do que gosto. Com implícita exclusão, a tudo o que não se inclui nestes núcleos.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Pedro Osório



obrigado

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

troikadas IV



E foi hoje a gota de água. O ponto final nos pequenos almoços,por sistema, fora de casa. Acabaram-se os galões, e as meias de leite, os chás e as torradas. Nem o módico pão com manteiga vai resistir ao meu antecipado e previsível decreto de boicote ao aumento do imposto de valor acrscentado. O motivo, também ele previsível - hoje, ao pagar a torradita e o galão apercebo-me que a troika já se fez notar no preçário. É com pena que me despeço das curtas tertúlias matinais, e do cheiro doce da cafetaria, mas tal como para os males existem os remédios, deverá algures existir o ditado do tipo, não coma fora, se pode comer em casa, ou algo parecido. E um pequeno almoço em casa é coisa de pouca mestria. Se daqui a algum tempo esta minha atitude, que, presumo, será adoptada por muita gente, somada ao retorno da marmita, provocar despedimentos e falências na restauração, lamentarei. Mas primeiro tenho de tratar dos meus trocos. Não se trata de poupá-los, mas sim de não gastar aqueles poucos que se vão tendo para gastos.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

artificialidades

Muito se tem falado por aí dos silicones fraudulentos (como se o não fossem todos) e das suas nefastas consequências. Vislumbram-se aqui e ali, alguns focos de pânico das peitudas mulheres, que, na busca de um visual artificial, podem ter comprometido a sua própria vida. Uma vez disse a um amigo meu, a propósito do tema, que uma pessoa que se presta a este tipo de alteração física, pode resvalar ao nível de uma boneca insuflável. Como adepto de tudo o que se manifesta original e sem segunda demão, abomino este tipo de aberração. Quem sabe o Herman, que tão bem satiriza os implantes masculinos no "fado do pénis" um dia não venha a compôr um faducho sobre o tema, e até adivinho qual a musa inspiradora.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Civismo

Um interessante anúncio anda a passar na tv - começa com uma mulher, no cinema, a comer, a tomar a sua bebida pela palhinha, e para completar o ramalhete, toca-lhe estridente, o telemóvel. O tema é o apelo ao civismo. Gostei. Embora, creio, a coisa não vai lá com um simples anúncio passado vez ou outra no canal do estado. Embirro solenemente com a moda de levar para a sala de cinema, as pipocas, os sumos e suas palhinhas. Se pensarmos que esta moda foi introduzida pelas próprias salas de cinema, a fim de captar mais uns trocos, temos de concluir que pouco respeito existe pela arte do cinema, que se entende, assistido em silêncio. Bem bom seria ir ao cinema, e desfrutar das novas tecnologias audio e video, sem o irritante desconforto dos barulhos parasitas. Mas pelo andamento da carruagem, o mais certo é o alargamento da oferta gastronómica na entrada das salas, com o consequente aumento da barulheira a par da banda sonora. Arrotos incluídos.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

reveillons, anos velhos, anos novos, troikas e afins

A pergunta é mais que batida, e a resposta mista com nova pergunta, ainda mais batida é, Então como foram essas Festas? - Foram boas, passaram-se, e as tuas? - Olha também foram. E blá blá blá. De resto bem vistas as coisas, acorda-se de um ano para o outro, sensivelmenteme na mesma, partindo do princípio que alguns excessos possam ter sido cometidos, mas nada que não passe depressa. Acho muito bem que a malta se divirta, bem como não acho piada a quem vive a noite como se fosse a última. Dizer que naquelas horas devemos esquecer os problemas e ser felizes, não me encaixa. Prefiro construir os meus pólos de felicidade, e tentar ter os problemas debaixo de olho, o quanto baste, e o quanto possa enfrentá-los. Por consequência, na prática encontro-me sempre em stand by para momentos de felicidade, fora do calendário estipulado, sem contudo implicar este modo, a tristeza nos dias oficialmente festivos, como no caso desta última passagem do calendário, umas das poucas em que não estive agarrado à viola. Não a passei como queria, mas passeia-a bem, entre chopsois e um embarque imprevisto. No que toca aos problemas, finda que foi a época oficial das Festas, que este ano me soaram a uma mistura de canto do cisne da euforia consumista, com uma trégua disfarçada dos nossos mandantes, será de bom tom a tomada de consciência do tema - mudar de vida. Bem como da actualização do célebre dito de Mário Soares, nos longínquos anos da primeira visita do FMI aqui ao burgo - temos que viver com aquilo que temos. Agora em nova versão, revista e actualizada - temos de viver com aquilo que não temos, e sem aquilo que deixámos de ter. Como já ando a praticar desde o ano velho, tenho esperança de não estranhar muita a diferença, neste ano que se diz, novo, e poder viver os meus momentos de felicidade que não têm data nem local marcados.