sábado, 12 de novembro de 2011

Olhares

Debato com o meu amigo, o olhar. O olhar da mulher. Concordamos no ponto em que os olhos sejam a cereja no cimo do bolo, no conjunto dos atractivos femininos, não obstante na beleza da mulher, o que não faltam são argumentos que somados, a podem tornar numa musa, quantas vezes aos nossos olhos, e quantas outras tantas, a olhares alheios.

O ponto de discórdia, porém existiu no debate. O meu amigo não resiste, idolatra, venera, todo o olhar, desde que venha num determinado tom de cor. Diz-me que é mais forte que ele. Olha os olhos, e fica vidrado. Eu contraponho. Objecto que, o que vale, não é o olho, e a sua cor. Mas sim o olhar, e sua expressão. Não existe nada mais profundo do que sentir aquele olhar, no nosso. Aquele olhar que invade e deixa invadir interiores. O olhar que sabemos é para nós, e não o olhar para a geral. Um olhar desses é coisa única. Os outros, os de cor, esses são configuráveis, basta recorrer à lente de contacto.



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

a piada do mês

Cavaco, que, segundo se diz, gasta menos que a raínha da Inglaterra, mas mais que a casa real espanhola, decerto deve levar uma bela comitiva aos Estados Unidos, com despesas pagas, sabemos por quem. Diz este eloquente orador ser sua missão corrigir a imagem distorcida de Portugal no estrangeiro. E eu questiono-me. Quiçá, não sou o único. Como pode uma pessoa que não consegue corrigir a sua distorcida imagem, dada a ausente unanimidade, dentro do seu cantinho lusitano, dar-se estes ares? A única coisa que Cavaco vai fazer, mais uma vez, é gastar, dado que pouca importância, atenção ou credibilidade lhe darão. Serão, quanto muito, educados e protocolares, acenarão com a cabeça um pois-pois-cantas-bem-mas-não-me-alegras, entre dentes, e nada mais que isso, porque ao contrário dos portugueses, os camónes, não têm memória curta, logo, a haver correcção, esta teria de ser retroactiva, e caseira. Só depois da casa arrumada, se iría reclamar a imagem e claro, sem tanta gente atrás, nem tanta publicidade.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

avestruz não


Vão valendo os momentos de descontracção, seja na música, a pedalar, a caminhar, ou a fazer retratos, como efeito analgésico aos problemas que nos assolam. Se não a todos, a quase todos. E atente-se que o quase se encontra em crescente mutação. Foi por isso, um fim de semana de boas músicas, de saboroso regresso às canções com amigo de longa data. Houve tempo ainda para me armar em lenhador, e carregar o quanto pude, alguma lenha em pinhal próximo, actividade que faz bem ao físico e à cabeça. Não podendo, nem querendo abstrair-me da realidade, escutei com muito interesse preocupação, no rádio, em altos berros, dado que exercia o meu desbaste à lenha, o conhecido Machado Vaz, comentando números e factos da tragédia grega, particularmente no que toca a suicídios, dependências de drogas e álcool, e outros flagelos cujas proporções lá, maiores do que são aqui, tiveram no início da tragédia, a dimensão nacional. Urge que tomemos em consideração toda a informação válida, realista, não fatalista, porque homem prevenido vale sempre mais, e em tempos em que as únicas certezas são o passado, todo o conhecimento se torna vital, dado que em parte, estamos por nossa conta, mas pelo outro, dependemos de terceiros, na esmagadora maioria, nossos inimigos directos. Sejamos pois tão espartanos, quanto implacáveis.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

sinais exteriores de riqueza



Este é um das dois submarinos do Portas. Isto que se vê nas águas do Tejo não nos vai servir para nada, a não ser ajudar a esvaziar-nos os bolsos. Isto, é um BPN dentro de água, uma auto-estrada, confeccionada por uma público-privada. Isto, é uma porcaria inútil, capricho de políticos e generais, também eles, inúteis. Talvez que, a presença do rebocador, não seja mera coincidencia, porque se a porcaria avariar, está por ali o pronto-socorro de assistência em viajem.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

identifico-me...




... plenamente com o texto. já circula aqui pela web há uns meses, mas só agora nele esbarrei acidentalmente. há quem diga, que o escrito não é do autor, mas seja que não seja, é de facto um excelente retrato. uma vez que estou com perguiça de o colocar "aqui" aconselho vivamente a sua leitura. basta ir ao google e escrever:


mia couto - geração à rasca - a nossa culpa




em Vias de Extinção

O comentador da Antena um não tem dúvidas. Para além disso os números não mentem. Talvez por motivos diferentes, António Barreto, como por aqui comentou a Antígona, também prenuncia o mesmo. Em recente post, aqui deixei o comentário de um brasileiro, sobre Portugal - eles não estão se reproduzindo. A conclusão, é tão clara, como dura - os portugueses de gema estão a rarear. Nada de portugueses Obiquelos ou Liedsons, e outros que tais. Fala-se aqui do português, filho, neto e bisneto de portugueses. A malta da raça. Os números que escutei hoje, são de 140 idosos para 100 crianças, quando há anos a cifra estava nos 34/100. Assustador. Mais assustará a quem, faça a projecção para a próxima década, dado que não se prevêem alterações na criação da expectativa de estabilidade das unidades reprodutoras, os jovens deste país. Somemos os anti-incentivos em sede de IRS, e concluiremos que crianças que venham a nascer por aqui, só por acidente, ou em famílias abastadas. Juntando na tela uma pitadinha de A.Barreto, outra de Medina Carreira, e umas nuances de Camilo Lourenço, teremos um quadro do futuro Portugal - os ricos e os seus filhos em condomínios luxuosos e castelares, e o resto do país, povoado por outros portugueses, os Liedsons e os Obiquelos. Depois disto sinto-me assim como que uma espécie de brontosaurus, ou bicho parecido.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

tradições

Gosto do Haloween. Pela componente do mistério, do oculto, daquele terrorzinho saboroso. Contudo dispenso celebrações de hábitos ou tradições que não tenham a ver com a minha identidade, leia-se, com a identidade da minha terra, e das minhas raízes culturais. Enquanto outras gentes fazem questão de se manterem fieis aos seus costumes, os tugas, descaracterizados que são, e àvidos por importar a coisa alheia, engolem tudo o que se lhes apresenta pela via da importação. E vai daí, celebramos o dia da bruxa, o dia do São Valentim, e o Carnaval carioca. Nada a ver connosco. Pouco espanto, decerto terei, se um dia começarmos a comer perú no dia de acção de graças, ou, atendendo à ascenção meteórica do país do sol nascente, que celebremos o ano novo chinês. Lá mais para a frente, quem sabe chega o momento em que daremos as vacas como sagradas. Em resumo, a tradição já não é o que era. Que o digam as lojas dos trezentos, que esgotaram os artigos de bruxaria, e não vendem uma florzinha, no dia de finados...