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sexta-feira, 20 de abril de 2012

os arranjinhos do costume



O que pode justificar a demolição literal de um local, num país onde quase tudo funciona mal, que é excepção de regra. Onde quem sabe do que fala, diz que desde equipamento, pessoal, e meios operacionais, esta maternidade Alfredo da Costa é exemplo. Exemplos temos, outros, da justificação, única - os interesses ocultos. Estamos acostumados aos abotoanços, aos arranjinhos público-privados. Ele são sobreiros, submarinos, freeport's, ou como neste caso, e no do aeroporto, deitar a baixo e fazer novo, sem que nada o justifique. Mas justifica - é o dinheiro, e sempre o dinheiro. A esquerda já veio denunciar. Que o motivo da extinção da MAC são interesses imobiliários. Certamente que assim é. Mas que não se pense que esta esquerda é imaculada, pois no que toca a arranjinhos, neste país, todos molham a sopa. Muito me agradaria termos nós por aqui, um pouco mais de pêlo na venta, e que, inconformados, batêssemos o pé, aos constantes roubos que sofremos. Se um dia, tal vier a acontecer, não assistirei da bancada, pois como diz o brasileiro, eu já estou de saco cheio.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

variando sobre o novo acordo



Espetantes estavam os espetadores, e eis que levanta o pano, começa o ato, e o ator baixando-se, diz - o meu ato é o que vêdes, ato o sapato - mas de fato, continua o ator, este sapato que ato, não está a condizer com o meu fato.
(cai o pano e Camões dá duas voltas no túmulo)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Soberanos ou Insanos?

Diz-me o meu habitual companheiro de almoço, o M, estar abismado com a notícia de que alguns dos estádios erguidos por altura do Euro, e qua apenas suportaram dois jogos, têm como solução de viabilidade, a demolição. O M, embora formado em engenharia é muito novinho, e daí que se entenda a sua perplexidade e revolta, porque o M, ainda está na idade de acreditar nessa coisa dos governos, partidos e assim. Mais confusão lhe fazem estes erros, que não o são, para os responsáveis destas obras de loucos, porque o M trabalha numa empresa alemã, onde não se gasta um cêntimo mal gasto. Dos estádios, passámos aos submarinos, aos blindados, aos aeroportos, ao tgv - que em Espanha, no ano de 2010 perdeu significativo mercado para a aviação - aos ordenados, reformas e mordomias da classe política, e altos cargos das empresas públicas. Não esquecemos de relembrar, a meio do bacalhau com grão, o Freeport, os sobreiros, os Jaguares, as sisas, os bpn's, e mais um bom punhado daqueles escandalos, que já nem o são, dada a naturalidade com que surgem, são desmentidos, e fica tudo à espera do seguinte.
Deixei o M a modos que escandalizado, quando lhe disse, que é por estas e por outras que preferiria ser governado por outros que não os portugueses, dados os factos citados. O M pergunta-me - então deixávamos de ser soberanos? Nós não, mas eles sim, os insanos, que nos roubam, e será o teu filho que, quando nascer vai pagar o saque. Saíu o M do almoço, com uma ideia na forma de embrião - emigrar.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

pegada lusitana

Há dias, escutei uns entendidos, a aconselharem o povinho a não deixar a sua pegada ecológica, no planeta, ou no mínimo, a deixar o menos possível. Verifiquei a nacionalidade, eram portugueses, sim senhor, alguns até com capacidades de decisão, e de há muitos anos a esta parte. Chamei-lhes débeis.
Contudo, cheio de fé e boa vontade, tentei aderir, virtualmente, à causa, mas tornou-se-me difícil nuns casos, e impossível noutros. É que para adquirir alguns bens essenciais à minha permanência neste planeta, tenho de me deslocar. De carro. Para obter alguns serviços, reparações, e afins, tenho de me deslocar. De carro. Eu até podia ir a pé, mas fica longe. São quilómetros, e não metros. De biciclete, nem pensar, há muitos carros, nas filas, que afinal carregam pessoas como eu. Deslocando-se. Em carros. Repisando a pegada. Como uma bota botilde. Na medida em que as ruas das minhas cidades, vilas e aldeias, vão ficando desertas, desses pequenos locais, onde antes se podiam resolver as nossas necessidades, crescem os grandes e iluminados cogumelos. São lindos, t~em ar de hotel, de free-shop, de modernidade, e qualidade de vida. E lá vou, lá vai o vizinho, a rua inteira, de panfletos na mão, lista das faltas, parafusos para amostra, roupas para troca, de cogumelo em cogumelo, em busca dos pertences. Irrita-se a malta, mas filas, dana-se a malta, nos parques, para estacionar é um castigo. Empurra-se a malta, feroz, atarefada, frustrada, porque o tempo não chega, e o dinheiro muito menos, e a pegada que não pára de crescer. No acto de pagar, degladiam-se os consumistas. Os seus carrinhos de compras mais parecem carrinhos de choque. Impacienta-se a malta, porque querem ser despachados primeiro que os outros, e correrem para o seu veículo poluidor, e por lá depositarem umas coisas que fazem mesmo falta, e outras que nem por isso. Mas eram tão baratas. Tão irresistíveis. Mais pegada.
Inteligentes, os da Europa. Inteligentes, os do tempo da minha avó, que saía à rua, de chinelos, e tinha na rua onde morava, ou ruas limítrofes, tudo e apenas aquilo que lhe era necessário.
Tristes e atrazados, aqueles que vêm dar os conselhos e recomendações. Porque agora, não há volta a dar. Folgo em constatar, embora pálidamente, que o meu país é aquele que foge à regra. Folgo em verificar in loquo a qualidade de vida e o bom senso, de outros povos, de outras culturas, tão longe da nossa, e tão perto afinal, visto que dizem europeus. Folgo em ver que tal como no tempo da minha avó, que as pessoas tinham sorrisos nos rostos, aos domingos.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Vem com todos os extras

Acabo de ver na SicNotícias a descrição, parcial, julgo, da panóplia de funcionalidade dos novos submarinos que Portas comprou, para defesa da Nação Valente e do Nobre Povo. Ainda estou zonzo confesso, ele é minas, e armadilhas, torpedos, radares, sistemas de não-sei-o-quê, e sublinhou a locutora, o paraíso dos submarinistas (sic) - um duche que transforma a água salgada em água doce. Se eu fosse má-lingua diria que este extra foi a gota de água (doce) que fez transbordar o copo da decisão de Portas, imaginando os seus súbditos submarinistas, ou marinheiros, ou soldados debaixo de água, como se queira, lavadinhos, aconchegados pelas quentes águas doces, em alto mar, perdão, debaixo de água. Era o que estava mesmo a faltar à Nação dos Igrejos Avós, um submarino com duche de água doce. E Portas gritou, bem alto, lá na loja onde se vendem submarinos: quero dois!!! Apoiado, disseram os Capitães do Mar Luso!!! Dinheiro ou Multibanco? (não aceitamos cheques) inquiriu a menina da caixa. O meu povo paga, menina, retorquiu de imediato Portas, afinal isto é para o bem deles, e gargalhou Portas, como gargalha o temível Mr.Burns, dos Simpsons.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

E tudo ficou na mesma

A Lei que condena, é a Lei que permite a não condenação. A Lei que foi genéticamente manipulada, escandalosamente, com fins evidentes. Fins nojentos. Assim é Portugal, uns vão bem e os outros mal. Sabemos que a montanha nem um rato pariu. Sabemos que as penas não irão ser cumpridas, e assistimos ao show dos "condenados" em mediáticas correrias pelas rádios e tv's.
Não me cabe a mim nenhum julgamento, mas não posso deixar de afirmar que quando vi, no início desta farsa, o apresentador da bota botilde, do Zona +, do Zip Zip, a chorar em directo na tv, e em hora nobre, pensei com os meus botões - um profissional destes a chorar na tv? hummm, soa a teatro de cordel, representação, portanto. Fico também sem saber se quando dito apresentador, foi mandado parar pela PJ, a 200 e tal à hora, foi multado por excesso de velocidade. É que os actos têm de ter toda a coerência, por mais ridículos que sejam, tal como comer sabão azul e branco. Mal vão estes recantos da Lei, que para além de condenarem, sem que se produza o efeito, nem têm dinheiro para comprar um Lux...ou um Palmolive.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

fê-dê-pê

Querem queimar Queiroz, querem varrer Queiroz, querem vê-lo para lá do sol posto. Mas como não há justa causa por via da incompetência, nem há guito para lhe rechear mais a conta, vai daí que ao velho estilo da professora primária, lhe querem puxar as orelhas, dar-lhe um ralhete de boas maneiras, e pô-lo de castigo, na prática, expulsá-lo, e com justa causa. Porque FDP, a julgar pelas palavras de Pinto da Costa, é o mote da questão. FDP, é ofensa que lesa. FDP dá direito a olho na rua. Por isso, Queiroz, não podia dizer FDP, podia pensar, dizer em voz baixa, rosnar entre dentes, mas ao vivo??? Não, menino Queiroz, o menino não foi educado, e agora, tau-tau. Faça como eu, que entre dentes vou balbuciando fdp à cambada política, mas sem eles ouvirem.
Queiroz devia lembrar-se da velha anedota:
-O senhor vai ser multado!
-Eu senhor guarda, porquê?
-Por fazer xixi na piscina!
-Ora, mas todos fazem!!!!
-Pois, eu sei, mas de cima da prancha, foi só o senhor.

sábado, 7 de agosto de 2010

ASSIM É O MEU pAÍS


Num Portugal onde os ministros se rodeiam de assessores, assessores de assessores, secretários, secretárias, gabinetes, carros de 150 mil contos; onde se pagam balúrdios a generais, capitães, comandantes, e afins; onde se compram submarinos para defender as Berlengas; e tudo o mais que qualquer luso tristemente verifica, neste país, existe um parque, Peneda-Gerês, que não tem vigilância, que não tem a viatura de serviço reparada, nem pode circular, porque o deósito está na rserva... por falta de verba.
Assim é aqui. No meu país.
Assim é no terceiro mundo.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Mão de Obra Especiazada

Estou à seca no passeio da rua. Por trás de mim um prédio. Ao prédio chega uma brigada de montagem de caixilhos de alumínio. Dois por sinal. A carrinha, via-se não era adequada ao transporte daqueles objectos. Da brigada de dois, de t-shirt e jeans, de Ventil nas beiças salta um deles de rol sebentado com apontamentos. Diz um da brigada, acho que aqui é o gajo dos seiscentos éros, vai lá tocar à campaínha. Era o gajo. Sobe o material. Era logo ali, no primeiro andar. O mais novo da brigada, lá na varanda ensaiava a posição do caixilho, enquanto o expert cá em baixo, com um olho fechado, à esquadria, e azimute, ordenava, esquerda, esquerda, direita, direita, fds, és vesgo cabrão? Acertado o caixilho, apenas entalado na varanda, sem qualquer parafuzito aparente, eis que com cerca de quinze minutos de árdua laboração, o chefe, cá de baixo, apaga a beata no chão e relaxa, disparando para o ajudante, está porreiro, anda lá pagar uma mine.
Eram nove horas da manhã. Os ditos não tinham capacete. Nem o tinham quem por ali passava. Desconheço o tempo que a brigada levou a emborcar as mines bem como o tempo que os caixilhos ficaram ali, como que a flutuar na varanda.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Submarinos PP


E pronto, ei-los que chegam às nossas indefesas àguas atlânticas, dois potentes submarinos, ou não fossem escolha de Paulo Portas, o homem-PP - Homem de requintado gosto, já provado em escolha de carro britânico, há uns tempitos atrás.
Os barcos de pesca, que vindos de Espanha, França, Itália, e até do Japão, nos subtraem a cota piscícola, que se cuidem, pois os submarinos PP aí estão para defender os nosso peixes.
Os carteis da droga vão tremer, os almirantes da Marinha vão rejubilar de alegria, e tudo isto graças aos submarinos PP.
Portugal está, definitivamente mais seguro, a partir de hoje. Não se nota nada, mas o medo do inimigo já é notório. Os submarinos PP não andam no ar, mas navegam na penumbra da nossa costa e não haverá alga nem robalo que não seja submetido a rigoroso raio-X. Raio-PP, perdão.
Uns quantos intervenientes no negócio, do qual a papelada se evaporou, ficarão bem mais ricos, enquanto o zé povinho empobrecerá mais um bocado, por causa da factura dos sub-PP.
No entanto que se lixe - estamos mais pobres, mas ninguém nos vai invadir. E tudo graças ao PP. E outros.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

aberturas


Ainda sobre o mote, e da polémica gerada em torno da abertura dos grandes espaços em horários até agora, não autorizados, escutei do que pude, esta manhã a Antena 1 e a SIC Notícias, e creio que no resumo de tudo existe apenas discussão estéril sobre o assunto. Indo por partes - ao pequeno comércio não faz mossa, pois mal que tinha a causar, há anos que se fez sentir - ao público, é sempre bom poder escolher, se se vão comprar as gambas e os sabonetes em tarde de domingo ao Continente, em vez da ditadura, até aqui, do Modelo, que por acaso é do mesmo dono, ou do Lidl. Aos grandes empresários, claro que são uns milhares a mais, ao fim do ano - aos empregados, fica tudo na mesma, continuarão com os seus parcos salários de turnos, e sempre no pânico do fim do contrato - mais empregos, não creio que se criem, mas sim áqueles que lá estão, ser-lhe-ão exigidas mais horas de trabalho.
No actual panorama luso, eu diria que a luta é entre os grandes monopólios de distribuição, que já se vão acotovelando, para sacar os euros aos pobres dos tugas, que cada vez que entram no espaço comercial, saem de lá com o carrinho meio vazio, e os bolsos mais que meio vazios.
Quem ganha, já todos sabemos, e não é o consumidor.
Quem perde, nem é o pequeno comércio, mas sim tudo o que gira à volta das actividades lúdicas que se vêm serem aproveitadas nos domingos, como vi por essa Europa fora, falo de visitas a museus, monumentos, actividades desportivas, passeios, e por aí fora. A acreditar num personagem que hoje debitava as suas razões na Antena 1, os portugueses são inteligentes e estão protegidos, enquanto os restantes europeus, coitados, não lhes dão direito à liberdade de consumir aos domingos, eles que, mesmo em crise, compram melhor do que nós, e nos horários à moda antiga.
Não deixei de me rir com as duas notícias consecutivas, a primeira sobre as ditas aberturas, e o aumento do consumo, e a segunda, sobre a preocupação de um ministro quanto ao facto das famílias tugas não estarem a poupar.
Poupar o quê? Quando há tantas promoções e talões e descontos, agora, das seis à meia-noite.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Cuidado

Existem pessoas que, sem se saber bem porquê, ocupam cargos, para os quais não têm qualquer aptidão, um pouco como reza a fábula do cágado em cima do poste. A prova de que são contra-eficientes, é-nos dada pelo facto de que quando entram para o dito cargo a situação pode não ser das melhores, mas estes senhores têm o condão de a deixar bem pior. Insustentável, como se diz agora, a situação. Para cúmulo, alegam que fizeram o seu melhor, que se a coisa deu para o torto a culpa não foi deles, e ainda se pagam generosamente pela porcaria que fizeram. Cuidado pois, a quem se cruzar com eles, recomenda-se que não se lhes abram as portas de casa. É que são bem capazes de partir a loiça, e dizer com a maior lata que a loiça caiu sozinha, e confiscarem-nos as pratas.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Não há bela sem senão

A bela Gabriela, veio anunciar cortes nas despesas com a Cultura. Porque sim. Coerente, digo eu, se já nos cortam na agricultura, nas pescas, na saúde, na indústria, e no comércio, a Cultura, deve alinhar pela mesma pauta.
Por este andar, um dia, escutaremos os Madredeus a cantar em alemão, e a guitarra de fado, deixará de ser portuguesa, a vai chamar-se guitarra ibérica. Porque a malta vai esmorecendo. É que elas não matam, mas moem.

domingo, 4 de julho de 2010

da Fama...


... e da ignorância, do preconceito e da estupidez.
Os anunciados 35 graus fizeram-me rumar cedo à praia. Escolhi o Meco. Pelo caminho verifico bom rumo do local onde o Prince (não o Pricipezinho) vai cantar o seu Kiss, e após a bica que se impõe, abanco na classe executiva dos chapéus do Bar do Peixe, o que me custou um balúrdio, mas um dia não são dias. A privacidade paga-se. Mas nem por isso, se deixa de escutar alarvidades como esta - Viajando ali ao meu lado, escuto uma bimba no telemóvel - sim já chegámos, estamos na praia do Meco, o X e o Y já estão metidos na água, sim essa mesma, mas não é nada assim, é tudo normal, os nús é lá para o fundo, aqui é só famílias e gente de calções e bikinis! Desses? não! Também não vi ainda, devem ter vergonha, só vi um com ar estranho cheio de pulseiras e assim, mas isso vemos em todo o lado, não é? Pois, vamos esperar, que ainda é cedo, é como te digo, aqui é tudo normal.
E desligou.
Será que a gaja não viu que a única anormalidade ali, era ela? E, porventura, a besta que estava no lado de lá do telefone.

sábado, 3 de julho de 2010

A praça - requiem


Quando era miúdo, a minha avó forçava-me a ir com ela ao Mercado da Ribeira, ou à praça, como ela dizia, coisa que eu não gostava muito, e dizia-me ela com a sua sabedoria - um dia vais gostar de ir à praça. Acertou. Hoje não troco uma ida à praça, para escolher o peixinho vindo de Sesimbra, a carne do talho, onde já me conhecem os hábitos, o pão de Alfarim, os legumes-legumes. Tudo tem outro sabor. O peixe não encolhe, a carne tem sabor, a cebola faz chorar, e o pão não fica intragável ao fim do dia. Contudo prevejo que, com o rumo que a distribuição levou em Portugal, tudo isto venha a acabar. Hoje, na praça aqui da zona, assisti a duas birras descomunais de duas crianças, que aparentemente foram ao engano, levados à praça pelos avós, julgando que iam a um grande espaço. Esses miúdos não serão clientes das praças, por mais que os avós insistam.
Em recente reunião de trabalho que assisti, foram divulgados dados interessantes - 80% dos jovens não sabe bem o que é o comércio local, e dos que sabem, mais de 90% não o usam, preferindo ir mudar a pilha do relógio ao centro comercial, do que ir ao relojoeiro da esquina. O conceito de modernidade aplicado apenas no nosso país de iluminados, vai, a curto prazo, o de uma geração, entregar de mão beijada o monopólio da esmagadora maioria da actividade comercial, aos grandes grupos, e sentenciar a pequena iniciativa privada, que pelo cansaço, falta de modernização, apoios, sucessão e carga fiscal, vai fechando, contribuindo para uma desertificação do convívio de rua, de muitas áreas urbanas, ao contrário da prática dos outros países europeus onde existe um equilíbrio entre todos os agentes económicos. A quem torce o nariz, basta fazer uma pesquiza sobre a distribuição comercial nos países nórdicos...
Agora vou acender o lume para grelhar as douradas escaladas e as lulas, que o Sr.Joaquim me garantiu serem mesmo de mar, e eu acredito, sem filas, talões e outras complicações.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

No feeling II - o rescaldo

Queiroz teimou, insistiu no feeling. Que feeling? De substituir o Hugo Almeida, que puxava pela equipa? Será que os espanhois lo pesetaron? Os jogadores desabafam, desde o Nani, o Deco, o CR ...quase todos falam à boca pequena. Eduardo o foi heroi, e chorou como um Homem. CR jogou onde não devia e onde não queria. Sei que não devia, mas saiu-lhe a desabafo. Uma vez toquei numa orquestra, onde o maestro insistiu que eu tocasse baixo. E toquei, mas a música que saiu não foi a mesma.

Parcos de visão são quem cobra o prejuízo a CR. O CR é um jogador entre onze, e não o salvador da pátria. Não me causará admiração que o miúdo não venha a querer jogar mais pela selecção, é que de facto, esta ligação só lhe dá prejuízo, e não lhe dignifica a carreira. E convém atentar quem precisa de quem. Nos próximos dias, muita roupa suja se vai lavar por aí.

De resto, quem elegi como prováveis vencedores continuam em prova.

Agora vamos à vidinha, porque o calendário não pára, e 5ªfeira vai tudo ficar mais caro. Aquilo do Mundial, só nos estava a dispersar. Será que há males que vêm por bem?

quarta-feira, 23 de junho de 2010

novos conceitos

Estou na papelaria, a folhear as revistas do costume, e há gente em fila para pagar. Oiço uma mãe, Tiago esteja quieto, Tiago não mexa. Uma das coisas que me deixa de sobrancelha em riste, são os nomes da moda, misturados com o tratar o filho, que se supõe íntimo, por você, e mais, dar instruções de costas voltadas para o rebento, dado que a jovem mamã estava como eu, a cuscar revistas. Mais uns Tiago páre, e outros, não me ouviu ?, e eis que o Tiaguinho rasga ums poster afixado no balcão, ao que parece, não pela primeira vez, dada a exclamação do Sr.S, da papelaria - lá vai mais um. A mãe do Tiaguinho - olhe o que o menino fez, veja o Sr.S tão zangado. Menina, agradeço-lhe que evite vir aqui com o menino, desabafa o comerciante. Porquê? virou-se a leoa mãe, não vê que é apenas uma criança. Exacto, balbucia o Sr.S, mas os adultos são responsáveis pelos actos das suas crianças. Ora bem, reforça alguém na fila, até pelos nossos animais somos responsáveis, quanto mais pelas crianças, e fica-se por um aceno de cabeça desafiador à mãe. Olhe lá, você está a chamar o meu filho de animal, sua...
E pronto, ficou o baile armado, fechei a revista, e saí de fininho, com o pensamento de que algumas crianças, por mais adoráveis que sejam, não têm puto de educação. Pior, os pais, nem se dão conta disso. Dão-se ares.

terça-feira, 15 de junho de 2010

ó povinho rasca


Já por aqui falei das minhas impressões sobre a nossa equipa. Contudo, isto é um bocado como as relações, nem sempre se está de acordo, mas não é porque não se está de acordo que se joga a camisola ao chão. Se esta é a selecção que temos, se somos tugas, e os tugas jogam, a prioridade é tocar a reunir, e dessa união, apoiar. Vista-se a camisola, mesmo que não se goste muito do feitio.
Em vésperas do jogo de hoje, em zigue-zague pelas nossas tv's, tristemente verifiquei que em vez de se concentrarem no essencial, a maioria dos que infelizmente abriam a boca, só comentava o ombro do Nani, o pontapé do Nani, a capoeira do Nani, as palavras do Nani. Lembraram-me a minha cadela pequena, que para não deixar a grande correr à vontade, lhe vai mordendo os calcanhares.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Afinal não é de agora


Eça de Queirós, em 1872, escreveu nas Farpas:

"Nós estamos num estado comparável somente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento de caracteres, mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá ...vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se a par , a Grécia e Portugal".

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A Bruna

Longe vão os tempos da minha idade das borbulhas, e outras erupções, que a natureza trata de facultar naquela transição entre o infantil e o adolescente, em que se desperta para outros caminhos, em que a inocência passa à curiosidade e busca de outros interesses para além dos Legos, dos piões e dos bilas. Nessa fase, e naquele tempo, cada oportunidade de vislumbrar um pedacinho de nudez, era aproveitada ao limite, e valia de tudo, desde espiar os balneários das miúdas, nas aulas de ginástica, ou ficarmos em locais estratégicos em escadas, para observar o que as saias deixavam ver. Muito às escondidas, eram fanados os livros do Vilhena, aos pais daqueles que os compravam, em algum recanto da escola. Era a pornografia desenhada. Sorte grande tiveram os alunos do meu terceiro ano do Liceu, que apanharam aquela stora de inglês, que, consciente do efeito que provocava em nós, amordaçados projectos de homem, ao traçar as suas pernas, quando sentada na secretária, exibindo uma generosa área de alva pele, muito para cima do joelho, deixando doidinhos cada um de nós, quando chamados ao quadro. Era o erotismo a que se tinha direito. Não haviam revistas eróticas, e se as houvesse, duvido que se vendessem aos putos. Não havia VHS, e muito menos DVD, e acima de tudo não havia - google. Ao que parece, o pessoal preocupa-se com a nudez da Bruna, e ao que parece ninguém quer saber se ela é competente como docente. Ao que parece não consta que a Bruna tenha atentado contra o pudor no exercício das suas funções. Se as pessoas, neste Portugal, de Nossa Senhora de Fátima, e tal e tal, estão preocupadas que os meninos vejam os dotes (e muito bons dotes, diga-se) da Bruna, e por conseguinte, outros dotes, de outras Brunas que existem por aí, há que agir em conformidade. Pelo que seguindo esta tão puritana atitude, haveria de ter que se fazer uma total razia, nos actuais meios ao dispor da criançada, leia-se os telemóveis, e a internet, pois os ditos dotes, estão à distância de um clique no google. Desenganem-se todos aqueles que dizem - o meu menino não faria isso, não senhor. Fazem sim, e desenvolvem mecanismos e cumplicidades de ocultação e defesa. Contudo creio que dada a facilidade com que tudo se nos depara, as novas gerações embora não ficando indiferentes ao erotismo, não lhe darão mais que alguma importância. Lá diz o ditado - o fruto proibido...
Quanto à Bruna, tem de palminhar a calçada, e lembrar-se que o 25 de Abril afinal, não foi aquela coisa da liberdade. E acima de tudo ter em conta mais outro ditado - aquele sobre a mulher de César.