sexta-feira, 30 de julho de 2010

ser peão

Todos somos, em algumas ocasiões, peões na estrada. A quem conduz cabe, por experiência redobrada, adivinhar que muitas pessoas em situação de peão, abusam desse direito, nas passadeiras, porque a coberto da lei, se julgam uma espécie super-protegida, e vai daí, vez ou outra ou por hábito, em trajecto rectilíneo pelo passeio, mudam bruscamente, e sem olhar, de rota a 90 graus, e tomam de assalto a passadeira como se fosse uma meta, pois os gajos dos carros que parem. Gente estúpida essa que quase procura uma colisão, invocando o direito de intocável na passadeira, sem se capacitarem que sendo atropelados, o corpo é que paga, juntamente com a seguradora do automobilista.
Hoje, calhou-me a mim, uma senhora fazer essa manobra, e atento que estava, testei ali mesmo o ABS, colando o carro ao chão. Às palavras que a dita pronunciou não as ouvi, apenas deduzo que não eram bonitas, pois abri o vidro e disse-lhe - isso é o teu pai, e pela cara com que a deixei, a coisa ficou mais brava.
Claro que não era a menina da foto. Caso fosse, ao parar, saía do carro, estendia-lhe uma passadeira vermelha e só lhe diria coisas bonitas.

António Feio


Foi com esta cara que te conheci, na tv dos anos sessenta.
Foste chamado a pisar outros palcos.
Comovi-me quando o Nuno te ofereceu o Oscar. Tu também.
Não conseguiste matar o bicho, de tanto o fazer rir.
Como disse o Herman, a tua morte não faz qualquer sentido.
Como se outras fizessem...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Gonzo


... by request
muuuuuuuito bom!!!

pontos cardeais

Hoje, os meus horizontes, a leste, a sul, a oeste e a norte, foram apenas estes estes.
...










quarta-feira, 28 de julho de 2010

perturbador

Em fim de serão espalho-me pelo sofá e coloco este filme no dvd. O aviso é dado no início - este filme é perturbador. A ser fundamentado em dados reais, pode ser sim, embora o pouco que vasculhei aqui pela net diga que não, contudo é um filme interessante, e abrindo o campo das possibilidades da imaginação, direi que as situações relatadas são possíveis, pois não é apenas o que conhecemos,a fronteira da possibilidade. Pelo que tem de haver lugar ao crédito, não desmedido, ao que não se conhece, ao que não se vê, ao que ainda não sabemos, ao mistério.
Apesar de tudo, não me tirou o sono. Adormeci com um pensamento bem mais agradável do que a polémica do 4th kind.
Agora vou-me banhar, que um dia de folga tem sempre as horas mais curtas do que os restantes dias.

Poirot



De um serão em esplanada, com malta amiga, cometi a imprudência de tomar duas bicas, que madrugada dentro, me deixaram desperto, eu que, durmo como uma pedra. Recorro à tv, para chamar o sono, recurso eficiente tantas vezes aplicado em outras horas. Dou de caras com o Poirot, o que não deixa de ser coincidente com algumas considerações que fui fazendo ao longo da noite de espertina. Anos houveram, que devorei seguramente uns quarenta romances da Agatha Christie, e em poucos, adivinhei o desfecho. Contudo de tanto a ler, tornei-me parceiro virtual do Poirot, admirando-lhe o estilo inconfundivel, e ainda hoje tão actual, no que respeita à análise que fazemos ao comportamento e acção das pessoas. E tal como nos romances de Agatha, na vida real, tudo tem de encaixar certinho, tal como num puzzle, a lógica tem de se revelar, e a nossas constatações tornam-se óbvias. E no final do acto, tudo faz sentido. Mais - só poderia ser assim. Nem que seja por exclusão de partes.

O filme, o clássico Morte no Nilo, não o vi até ao fim. O efeito foi conseguido - adormecer-me. O outro efeito também - o de me relembrar que as pessoas se revelam e se traem nos pequenos detalhes. Agucemos o bigode, e exercitemos as células cinzentas.

terça-feira, 27 de julho de 2010

vão-se os anéis...

... ficam os dedos, dizia-se.
Hoje, podemos actualizar o ditado com variantes, tipo, ficam os dedos e as fotografias das férias, ou ficam os dedos e o lcd e o frigorífico, ou ainda, ficam os dedos, e o carrito à porta pelo menos por mais dois meses.
A notícia recente de que os portugueses estão a vender o seu ouro ao desbarato, nas lojas que poliferam por aí, anunciando a compra de ouro, revela um pouco o espelho do enorme buraco onde estamos metidos, bem como da desesperada, e em muitos casos, derradeira tentativa do pessoal manter as aparências.
Todos sabemos como tradicionalmente esse ouro vem parar às mãos das famílias. Vem dos nossos pais, que o receberam dos nossos avós, que certamente o receberam dos seus pais. Dos meus avós me foram passadas pequenas jóias, de beleza e estima, com muito mais valor do que a cotação do quilate. Imagino, porque os meus avós eram do povo, e o povo não tinha acesso aos bancos, que as suas parcas economias eram investidas no ouro.
Tristes tempos estes em que por necessidade, ou vaidade, se derrete muito mais que o valor de uns dias a banhos. Derrete-se parte do passado das pessoas, assim como quem queima uma fotografia, queima mais que quem lá está - queima os momentos, as memórias, e o respeito.