quarta-feira, 31 de março de 2010

Momentos

momento 1nq não me sais da cabeça! o que faço? avanço ou recuo?
...

momento 2 será que alguém está estúpido? colocar os dois mais badalados dirigentes desportivos na mesma hora nobre, revela estupidez e provincianismo, se calhar de todos, dos ditos, dos entrevistadores, e dos responsáveis pela nobre escolha.


momento 3 para além das revistas de música que guardo religiosamente, mantenho um bom stock das NG e das saudosas GR. Ao folhear uma com mais de 10 anos, leio no editorial, uma precupação legítima, em forma de aviso - corriam os tempos de cavaquismo e a CEE mandava-nos dinheiro, que nunca mais acabava, e nós, os tugas, vai de atapetar Portugal com belíssimas estradas. A preocupação era simples, como se iria pagar tanta massa. E não é que o dinheiro que nunca mais acabava, acabou, e hoje, o resultado está à vista.
Preocupam-me hoje, as afirmações de que cada tuga já deve para cima de 20 mil € e de que a Segurança Social, estará falida daqui a duas décadas. Se as previsões forem tão certas como as da GR...


momento 4 quando tinha uns trinta e poucos, em viajem de trabalho, comprei um Paco Rabanne, que durante esses dias, além de me deixar cheiroso, me deixava um qualquer coisa de confortável. Sei que nada tem a ver, mas tudo estava em boa conjugação - a vida sorria-me, o meu corpo era rectilíneo, o fato ficava-me bem, as viajens corriam bem e eram um manancial para todos os sentidos. Tudo parecia obra do PR.
Hoje, ainda sou fiel ao PR e ao seu aroma, porque gosto, e porque de cada vez que me unto nele, invade-me ainda, aquela sensação de um qualquer coisa de confortável.
E se eu bem preciso, não que o fato me fique mal, mas definitivamente, o meu corpo está mais redondinho.
Paco Rabanne, o clássico. Dos outros não gosto.




segunda-feira, 29 de março de 2010

N Q


NQ é o seu nome, primeiro foi-me um pouco indiferente, depois, aos poucos fui gostando, fui-me interessando, descobrindo os grandes e os pequenos detalhes. Vou deixar o tempo passar, moderar a impaciência, cultivar a espera, e saborear os momentos que espero venham a desaguar na consumação dos sentidos. NQ, não me sais da cabeça.

domingo, 28 de março de 2010

Silêncio


É crescente, e preocupante a sucessão de notícias que estão a aparecer sobre a pedofilia e a igreja. Como todos sabemos, quando se fala em dez, o número é mais que mil. Os que se silenciaram durante anos, mesmo que sendo surdos-mudos, falaram, e os que deveriam, falar, e agir, calam. Calam porque sim. Porque não há nada a dizer, e pouco a fazer. Porque estão encurrados, e trezandam a hipocrisia e mentira. Porque sendo durante séculos a fio o suposto espelho da virtude, e do bem, não têm defesa nem palavra possível. Porque sabem que ainda a procissão vai no adro, e muitos mais virão, de futura a acusar, finalmente, quem, de batina, e cruz ao peito, lhes roubou a alegria de viver.
Não sou defensor do ditado - quem com ferros mata... mas por vezes sinto-me tentado. Sim tentado, porque a tentação afinal, não é pecado coisa nenhuma.
Será que alguém ainda irá dizer - que Deus lhes perdoe?

virar a página?


Virar a página?
Rasgar a página?
Deitar o livro fora?
...
Em vários aspectos encontro-me em fase de restruturação, de mudanças, de reciclagem, de mandar fora o que não é essencial, de terminar pedaços de céu, enfim uma correria danada em vários quadrantes, que em conjugação com o pretendido método, e arrumação das coisas e das ideias, junto com o rame-rame do dia a dia, e mais as músicas, me deixa estafado. Literalmente estafado. Com o fechar de uma porta outra se abre e é sempre bom esse sabor a renovação e novidade desejada, e pensada. Daí que o estafanço fica compensado na balança.
Porém, no descartar das folhas, dos objectos, dos escritos, dos tais pequenos nadas, dos pequenos afluentes, fica sempre uma nostalgia, porque em cada um desses poréns, existe um momento, uma história, uma lembrança, que faz com que o ritmo em que se vão jogando as coisas fora diminua, como se se prestasse uma última homenagem a coisas tão triviais, como um isqueiro que nos lembra, que cigarro acendeu, quando onde e a quem; uma factura de restaurante que nos lembra com quem se jantou, onde se estacionou, o que se levava vestido, e como decorreu o resto da noite; uns apontamentos que num ápice nos transportam "áquele" dia e nos deixa invadir o sentimento da época. Ao deitar para o lixo, pequenas tralhas, deitamos um pouco também uma porção de postits que deixarão de nos avivar a memória. Por isso, as fotografias nunca deverão ser destruídas. Nem que seja para nos vermos mais novos e mais magros. Falo por mim.

sábado, 27 de março de 2010

A vida é feita de pequenos nadas


Como é possível ficar-se tão pleno de satisfação porque, finalmente, houve condições de pegar na biciclete, e sentir os cheiros dos pinhais, ao mesmo tempo que se desenferruja o corpo, e no final, uma paragem na casa da mamã, sem olhar para o relógio, para uma saudável cavaqueira, mais de irmãos do que de mãe e filho...
E ainda há quem diga que nunca estou satisfeito! Calúnias.

sexta-feira, 26 de março de 2010

O Livro das Faces


E pronto, como diz o ditado, juntei-me a eles, a pedido, e por várias sugestões, decidimos, os sobreviventes da loucura dos anos 80, criar uma página no facebook , e não é que já revi velhas amizades. Isto da net é do catano, pá!

Chamamento

D.F ficou viúva naquela idade em que não se é muito nova nem muito velha, na casa dos cinquenta, o marido, esse, foi-se na idade que dizem ser a madura, aos sessenta. O cancro levou-o. D.F trajou o preto de rigor, e de rigor vestiu a sua alma, ficando-lhe de consolo, os cinco filhos, e os netos. Dos filhos, o mais novo, cópia chapada do pai, movia-lhe, à D.F, um misto de saudade, e orgulho, pela extrema semelhança. Com os anos chegam à D.F as mazelas costumeiras, perde quase toda a capacidade de ver, e de se mover, começando a depender de terceiros, sente-se a mais, porque não quer dar trabalho. Mas lá foi indo, na sua vida meio cinza, até que novamente o cancro lha bate à porta, e D.F vê partir o filho, o mais novo, o que era igualzinho ao pai. Precoce o filho, que se foi na casa dos quarenta. A vida cinza de D.F veste-se então de negro, um negro para sempre. Vegeta entre um quarto escuro, e uma sala, que ela mesmo quer escura, rodeada de dezenas de fotos e lembranças dos defuntos, com as suas dores, as físicas e as outras, com os seus sofreres, os seus ais, daqueles que vêm das entranhas, lastimando-se a todo o intante - porque é que Deus não me chama... o que é que eu estou aqui a fazer?
Quem sabe, Deus ande algo ocupado e preocupado com as travessuras que os homens de batina, que professam a Sua palavra, têm vindo a fazer por aqui, cedendo ao mais nojento dos pecados, e não escute os pedidos de D.F. que entre cada supiro, pede o chamamento.
Por mais fria que seja a conclusão, a D.F tem razão. Tem-na. Toda a razão.