segunda-feira, 6 de maio de 2013

a vizinha

- Então vizinho, não sabe da última? 
- Que última? pergunto. 
- Aqui a viúva - a acena com a cabeça na direção da casa - arranjou um tipo, dizem que também é viúvo. 
- Ah, então está certo, fazem companhia um ao outro.
- Pois a ver, se ela ganha juízo, e deixa de andar aí toda provocante. 
Nem respondi. 
Mas o meu marido já os viu para aí aos beijos. 
- Onde? Arrisco perguntar. 
- Diz que foi no quintal.
- Deles?
- Sim!
- Então o seu marido que não olhe. Digo a sorrir.
Mas a vizinha fechou a cara e seguiu em frente, quem sabe se aliviada porque a viúva deixou de representar um perigo que creio nunca ter existido, quem sabe com uma pontinha de inveja por já não ferver nos braços de um homem, no seu casamento de décadas. 

dia das Mães


Não seria justo invocar o dia da Mãe, sem ter em conta, as Avós. As Mães duas vezes. Na parte que me toca, muito lhes devo, sem colocar em causa a dedicação e empenho da minha Mãe, que, como todas as mães, exerceu, e ainda exerce a sua função o melhor que pode, sente e sabe. Contudo a Avó, leva a vantagem da idade, que lhe confere a experiência tantas vezes crucial. A par de todas as vantagens do convívio duplamente materno que tive, creio que em parte devo a ambas, as primeiras bases da minha instrução musical, dado que ambas cantarolavam, e bem, verdadeira pérolas do cancioneiro das suas origens, de riba, e de além - Tejo.

sábado, 4 de maio de 2013

pedalar

Pelas minhas contas a minha bicicleta já rodou uns cinco mil quilómetros, o que equivale a dizer que já pedalei um bom bocado. Faço-o mais pelo gosto, do que pelos benefícios que trás ao corpo. Pedalar tem-me dados enormes prazeres de sensações, de contemplação, que dificilmente conseguiria se optasse por caminhar. Fazer o circuito da Serra do Risco, ou Cabo Espichel, ou descobrir as zonas ribeirinhas de Lisboa, sem gastar mais que a nossa energia, dá um prazer imenso. Juntando o gosto pelas fotos, é um dois em um. 
Continuo sem entender muita coisa no meu país. Como é que tão poucos portugueses gostem de pedalar, com o excelente clima e espaços que temos, e prefiram as filas de trânsito, e as compras ao fim de semana. 
Qualquer dia meto-me num avião e vou até à Holanda. Onde se pedala a valer. 

papas e bolos

Leio por aí que o papa Francisco, se dirigiu a um dos seus guardas pessoais, lhe perguntou se este estava cansado, e perante resposta afirmativa foi buscar uma cadeira e uma sandes de presunto, a fim de consolar o guardião. Não disse a notícia, aquilo que se deduz: que o rapaz deve estar na pujança da idade, logo, está física e mentalmente preparado para umas horas em posição vertical, sem qualquer espécie de violência. Para não falar do chorudo ordenado que deve receber, pela guarda das portas do Vaticano. Um desempregado passará mais horas de pé, com dores no corpo, e com fome, numa fila do centro de emprego, e tem de se aguentar.
Está-me a parecer que este papa, resvala sábia e subtilmente para o marketing da imagem. Não é a dizer que tem pena dos pobres, a beijar um pé e a lavar outro de um qualquer crente, ou em comoventes actos de dar colo a criancinhas e pessoas deficientes, que se muda o mundo. Não venha o novo papa a tomar atitudes de fundo nos próximos tempos e terei de admitir, que estes papas falam, falam, abençoam, abençoam, oram, oram. Mas fazer, não fazem nada.

o monstro antes do belo - IV

Antes de partir para Santa Apolónia

Hoje, em Santa Apolónia. Estou curioso em ver o resultado, e por aqui deixo uma sugestão: dado que os submarinos do portas, não têm qualquer utilidade, porque não serem a próxima obra? Aproveitava-se o embalo criativo, e o contagiante protagonismo actual da Artista, e sempre se ganhavam umas coroas.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

o essencial...

... por vezes está ao alcance dos olhos.
Desde que ardeu uma parte do pinhal aqui perto, poucas pessoas se sentem atraídas a voltar ao local. Contudo esquecemos que por enquanto, a Terra renasce, e fica bela novamente.

Vivaaaaaaaa

Podem dizer que me queixo porque me dói, mas não por aí. É uma questão de democracia, de igualdade, de sol quando nasce... Por isso afirmo: o comércio deu cabo do pleno 1º de Maio, em Portugal. E explico: o tuga,se vê uma loja aberta, é pior que o cão na igreja.Entra. Fiz dezenas de passeios por este mundo fora, e observava sempre o mesmo fenómeno, a malta vê uma lojeca, e pimba, lá vão em excursão, ver e remexer. Os locais de interesse que se lixem. Com a singular e selvagem imposição que os grandes espaços fizeram em solo português, no que respeita (também e não só) aos dias e horários de funcionamento, o dia 1 de Maio, se não vivesse já em dias de amargura por causa dos índices de desemprego, dado que é justamente o dia do trabalhador (não desempregado, creio) leva agora com a concorrência desmedida do grande feudo do consumo. Excepção honrosa para el Corte Inglês. Curiosamente (ou não) tudo isto com a ajuda preciosa do suspeito menos óbvio: a Esquerda. Pois foram estes que escancararam as portas aos grandes da distribuição, corriam os anos 80. O que prova que ser mulher de César, é f_d_d_.