terça-feira, 23 de abril de 2013

Música - Memórias


Andava eu pelos nove/dez anos, e as únicas prendas que queria eram discos. Não qualquer disco, mas "o" disco que eu quisesse. Por vezes demoravam semanas, meses até conseguir o meu objectivo. Quando a tal música passava na rádio, eu assimilava-a, e aguardava ansiosamente que o locutor de serviço anunciasse o artista e o título para que eu, memorizando foneticamente, pudesse armazenar a informação, até ao momento de glória, dado que não percebia patavina de inglês. E foi assim que em duas ocasiões diferentes, consegui entrar na Melodia, e despejar: tem o ióngâl dos diuniónguép?. E também numa discoteca na Baixa, expelir: tem o citin-inadócófdâbei? O primeiro comprou-mo o papá, e o segundo, a mamã. Ambos, não entendiam o porquê de eu gostar daquelas músicas. Nem eu sabia. Hoje sei.

santos da casa

Optei no domingo passado, por tomar o pequeno almoço numa simpática e pequena casa, porém, cheia de alma (que hei-de fotografar, assim o dono permita) onde o galão é bem tirado, os doces e salgados, pecados da gula, e o som ambiente é invariavelmente a rádio Amália, ou não fosse o dono, fadista. Queixa-se que o negócio está mau. Que a vizinhança o abandona aos poucos. Que preferem pegar no carro e rumar a um qualquer espaço comercial a pretexto de "dar uma volta" e tomar uma bica deslavada. Depois remata - no entanto tenho clientes que vêm de longe só para provar os meus bolos, ou mostrar a casa a amigos, mas isso não chega.

Aqui nem se aplica o dito - santos da casa... - aplica-se uma falta de nem sei-o-quê, que impele as pessoas a uma dinâmica de falsa qualidade de vida. O comércio de proximidade devia ser, por muitos motivos, tal como nos países do norte da europa, um dos grandes parceiros da pessoa que passaria a ter a honra de voltar a ser o Cliente ao qual se trata pelo nome, em vez de ser um reles consumidor.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

calor e as tristes realidades

Depois de um castigador período de chuva e céus escuros, na primeira oportunidade, apresento-me na minha praia, que quase me parecia virgem, na ausência de pessoas. Era eu e quatro gaivotas. Arrisco colocar as pernas a ao léu, e molhar os pés. Desnudar-me mais não convém, amanhã é dia de cantoria, e os ventos ainda são matreiros. Por ali fico, a molhar os pés, até me esticar ao sabor do sol, e dar-me conta de que há meses que não olho para mim. Melhor, para aquelas partes do corpo que só vemos quando vamos tomar banho, e que, no inverno, se as vejo, é a fugir. A conclusão é óbvia, e dura. Estou a ficar velho. A pele já não tem   a frescura de outrora. Branca ainda fica pior. Estou a ficar com pele de avô. Se a aperto faz rugas. Por hoje fiquei-me pelas pernas. Nem quero saber a desilusão que vai ser quando observar minuciosamente, as restantes áreas, por hoje resguardadas. Aposto que a barriga vai ser o centro da minha atenção :(

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Paços do Concelho

Existe aqui pelo meu Concelho, uma grande polemica: dizem e revoltam-se dizendo que o Município está falido, e no entanto vai contratar dois artistas caros, e uma orquestra para comemorar o 25 de Abril. Como se não chegasse, ainda vão presentear o povo com um estrondoso e pavoneante fogo de artifício. Não faço ideia das gestões das Câmaras, mas existem evidências nas quais não podemos deixar de reparar. Se é daí que vem o buraco, não faço ideia, mas...
Câmara Municipal do Seixal

Câmara Municipal de Sesimbra

Câmara Municipal de Alcochete

Câmara Municipal de Cascais


Solidários sim, porém, selectivos

Tenho por hábito dar uma volta na página inicial do facebook, a ver as publicações, ao calhas, assim como quem lê as gordas dos jornais. Notei, com pouco espanto, diga-se, que certos amigos que por ali tenho e se identificam politicamente com a esquerda, que comentam, partilham, aquelas cenas da democracia, da solidariedade, das liberdades, etc. passaram totalmente ao lado da notícia sobre o cobarde atentado (todos são) em Boston. Para mim foi como se tivessem vontade de colocar um like. E para compor o ramalhete, falou-se da Venezuela.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

15 de Abril


Sempre me lembro deles, arrisco a dizer, diariamente. Diz-se que a melhor forma de homenagearmos quem partiu, é nunca os esquecermos e silenciosamente lhes prestamos a devida homenagem, na lembrança, na evocação, no proveito dos ensinamentos. Seria hoje o seu dia aniversário. Do meu avô paterno, que morou um terço da sua vida no paquete Império, e da minha avó materna que sempre que visitava o Alviela, nos Olhos d'água, voltava a ser a criança que cedo se perdera nas escadas de Lisboa. Ambos foram, e são, a prova de que os avós são pais duas vezes.

sábado, 13 de abril de 2013

o monstro antes do belo - capítulo I


Aparentemente sem pintura final, em seco.