terça-feira, 11 de setembro de 2012

gota d'água

Entrei hoje, pela 1ª vez, na página do nosso PM, sita no Facebook, por curiosidade, e não resisti, para além de passar uma breve vista d'olhos a alguns comentários, e deixar por lá o meu. Considerando que o post do PM foi colocado no passado domingo, e que neste preciso momento, o número de comentários já ultrapassa os 44 mil, é caso para dizer que a malta anda descontente, em massa. Veremos se não passa este descontentamento de um rosnar inofensivo, nas redes sociais, assim à laia de maria-vai-com-as-outras, ou se, vai ganhar verdadeiras proporções de contestação, dado que quando não há pão...

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

quem faz um filho, fá-lo por gosto

Quando em tempos da outra senhora, muito difícil era para a mãe solteira, principalmente se em condição social desfavorável, provar a paternidade da sua criança, caso o pai, recusasse assumir o feito. Daí os muitos casos arrumados sob o desígnio - filho de pai incógnito. Perdia a mulher, e a criança.

Mudaram-se os tempos, e mudou a lei. De tal forma que à mulher lhe bastava apontar o dedo e dizer - foi aquele, que o dito, teria de fazer a prova contraditória, sendo o caso, bem apetrechado de análises sanguíneas, e testemunhos cujo peso, perante um juiz encarregado pelo poder de não deixar os rebentos sem um apelido, certamente se decidiria a condenar o "pai" fosse ele o autor, ou não, e, caso sendo, não havendo dúvidas sobre a autoria, se seria justo ou não atribuir o poder de decisão apenas à mulher-mãe. Perdia o homem, e a criança.

Interessante ontem, o toque ao de leve, do tipo - não me vou comprometer demasiado sobre o tema, porque posso perder clientela - de Júlio Machado Vaz, sobre o tema introduzido. O direito do homem poder decidir se quer ser pai da criança, que gerou no ventre da mulher. Complexo, admitamos. O homem, bem como a mulher, tem de assumir, querer tê-lo e criá-lo e educá-lo e amá-lo. Tudo o que seja menos que isto não presta. Resta, quanto a mim, o direito à mãe, de não querer o pai para nada. Mas para isso, que não existam apelidos nem registos. 

Talvez que com o devido acerto, se chegue a um ponto de equilíbrio da responsabilidade e do direito. E certas criaturas aprendam a distinguir que uma criança não pode vir ao mundo por capricho, vingança, descuido, interesses materiais, ou outras circunstâncias que nada têm a ver com o desejo de ser pai e mãe, e que aprendam também que, um filho não é nunca, um animal doméstico. Ganha a mulher, ganha o homem, e ganha, enfim, a criança.

a linha que separa

Cada vez se torna mais presente, a linha. A linha que separa os dois mundos que tento não associar na mesma gaveta. 

São eles o mundo duramente real, da constante tentativa de manter os equilíbrios em todas as vertentes, com enorme expressão para o lado dos dinheiros que entendem em me subtrair, com directa consequência na, e já não digo qualidade, mas tão apenas, dignidade de vida. O mundo que não manobro. Aquele, em cujo palco, não passo da marionete.

Por outro lado o mundo da música, onde me refugio e me fortaleço, me reencontro e me refaço, para poder ganhar a força necessária para regressar ao primeiro. O mundo onde melhor sei navegar, e onde sou respeitado, escutado, onde dirijo o palco. Certamente sem este segundo mundo, que afinal é tão primeiro, não conseguiria aguentar-me no primeiro, que de mundo pouco tem, e muito tem de limbo, e muito menos  tem, de primeiro, a não ser por mera e implacável obrigação.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

nobre povo?

Enjoa-me um bocado aquelas recentes reportagens sobre o humor do menino CR7. Que o rapaz é craque, e um caso raro, e um dos melhores, e ainda por cima é tuga, tudo certo. Agora aparecer em todos os meios de comunicação, um "jornalista" com cara de caso grave e sério a dizer se o menino está bem humorado, se riu, se sorriu, se corou, se chorou, repito, enfada-me. Tanto os que dão espaço de tempo de antena a estas coisas, como aqueles que escutam. Dirão as poucas pessoas que por aqui se perdem - ah, mas tu és um deles!!!! Pois sou, mas advogo em minha defesa que para fins estatísticos, ou enquanto o meu dedo não muda o canal no telecomando.
Assim são as pessoas do meu país, que por motivos diferentes, mas com resultados idênticos, maltrataram ilustres lusitanos, tais como Carlos Paredes e José Saramago. Resta a História para recolocar tudo no sítio, e resta acima de tudo, a atenta e justa observação e reconhecimento do resto do mundo. 
Pelo que, em suma, estamos com nos anos 60. Orgulhosamente sós. Antes com o Eusébio. Hoje com o CR7 e as suas birras.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

todos temos o nosso dia, e uma história desse dia

Maria de Lurdes, tinha as contas feitas, seria lá para 10, ou 11, ou 12... Os planos do casal consistiam em, na proximidade desses dias, rumar à casa dos pais dele, em Arroios, na capital, dado que ali em Cacilhas aquilo era mais do que o lado de lá, a outra banda, era o fim do mundo. Contudo, feita a travessia do Tejo, estava-se em Lisboa, onde tudo se encontrava, e o resto do país, paisagem.

Mas o destino trocou-lhes as voltas. Conta Maria de Lurdes que no dia 3, o chefe, lhe dera uma valente reprimenda, sem fundamento, e não tendo em conta o avançado estado da gravidez da sua subalterna. Nervosa, Maria de Lurdes deita-se nessa noite com uma moínhas que atribui ao raspanete, novata que era nestas coisas de dar à luz.

E eis que madrugada dentro, o rebento lhe começa a dar sinais impacientes de querer sair do casulo, mesmo que ainda não fosse a hora. (deve ser esta a explicação para uma quase obsessão em nunca chegar atrasado). Chora a Lurdes de lhe dói, acorda o Manuel os vizinhos do lado. Há que fazer alguma coisa. Diz alguém que lá para as Torcatas, perto do Cristo Rei existe uma parteira.

Parte o Manuel em passo de corrida, (ainda não havia o metro) madrugada e rua fora em busca das Torcatas e da parteira, para regressar esbaforido, e a escorrer suor, após inglória busca da mulher.E eis que dá de caras com a Lurdes, os vizinhos, e seu filho, ao qual veio a alcunhar de Sputnik.

Eram sete horas da manhã, do dia 4 de Setembro de 1957, na Rua Elias Garcia, em Cacilhas.

domingo, 2 de setembro de 2012

olimpíadas guitarristicas





Escuto na rádio - em seguida iremos escutar aquele que foi eleito como o segundo melhor guitarrista de sempre, pela revista Rolling Stone - e sai o cocaine do Eric Clapton. Nunca achei piada a fazerem classificações na música, como se faz no desporto. Um músico não é um atleta. Não tem de tocar mil e quinhentas notas em menos tempo que o outro, ou algo que sirva para medir ou comparar performances.  Existem estilos, tendências, influências, e gostos muito pessoais. Um músico muitas vezes varia o seu estilo, consoante a inspiração, aquilo que o rodeia, e principalmente se muda de parceiros. Por isso esta coisa de dizer que o Clapton é o número dois, é treta, e havendo alguma necessidade de eleger os melhores porque os outros seriam piores eu incluiria o Eric nos principais dez, mas nunca na segunda posição. mas isto são os meus gostos. Fui a ver, e afinal a menina até estava enganada, porque o Clapton aparece na 4ª posição. No entanto estou a gostar de entrar no site, porque me revela uma enorme multidão de guitarristas que desconhecia até agora. Mas ainda sobre os números: hilariantes as posições do Carlos Santana e do Mark Knopfler, e as ausências de Vai, Satriani, e a cima de tudo Gary Moore, entre muitos outros..

http://www.rollingstone.com/music/lists/100-greatest-guitarists-of-all-time-19691231/ron-asheton-19691231

sábado, 1 de setembro de 2012

os números da idade

Dizia o senhor meu pai, que no virar dos quarenta anos se sentiu muito deprimido. Nunca lhe entendi esse sentir, dado que a vida lhe corria bem, em todas as vertentes, e casado pela segunda vez, era feliz ao lado dessa pessoa, que o amou incondicionalmente até à sua partida. Talvez o facto de ela ser bastante mais nova, fosse o motivo da depressão...

Virei os quarenta e nada, depois vieram os cinquenta e nada outra vez. Deprime-me sim, a condição da incerteza no dia de amanhã, no que toca ao que não consigo dominar, ao que está fora da minha capacidade, mas isso são outros quinhentos.

Estou à beira de casar os anos, e revejo os slides da minha vida. Não vou dizer que fiz tudo certo, nem que tudo foi um erro. Tão pouco, afirmarei que voltando atrás faria tudo de novo, ou que apagaria tudo com uma borracha, fazendo um novo rumo. A vida, é a teoria do caos.

Omitindo valores e sonhos, e que altos eles são,  que aqui não serão mencionados, já me posso dar por feliz e realizado, por poder ter a genica suficiente para me aguentar com as noites de música, as pedaladas na minha fiel bicicleta, e tirar uns retratos, fazer uns petiscos, e degustar uns tintos. 

Ai que me esquecia das caipirinhas..