Muito há que falar por aqui, que é como quem diz, escrever. Encontro por vezes, rabiscos, não só no papel, mas também nos confins do meu cérebro, apontamentos, para que não me esqueça de falar, de comentar, num qualquer dia, num qualquer post. Mas mesmo assim, o método não é muito eficiente, dado que ou perco o apontamento, ou mais tarde já não me apetece escrever sobre aquilo, que me apetecia horas atrás. Assim é o sentido de oportunidade, bem como o seu inverso. Um bocado como a comidinha feita na hora - tem outro sabor. Do que apetece falar é daquilo que me dá goso, e afinal, mais que dita e redita, a grande paixão, a música. E perante o convite de visitar amigo de amigo que tem um santuário de guitarras e amplificadores que até agora só avistei em revistas e vitrines, com a possibilidade de, com permissão prévia, poder ter o privilégio de tocar numa dessas relíquias, sinceramente, não me apetece falar de mais nada. Nem da crise. Estou até a tratar das unhas, para tão solene ocasião.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
sábado, 14 de janeiro de 2012
danos colaterais
Aqui deixo o aviso - nada de pensar que se curam as gripes da época, com paninhos quentes e umas bodegas atamancadas. Estas gripes são como o Toyota, e os chinocas - vêm para ficar. E por isso a carrego na mochila desde o Natal. Decidi enfim, após várias derrotas, visitar o doutor, e não fosse a penicilina, ainda me encontraria hoje a tossir até pelos poros. De rescaldo fica o raspanete merecido que tive de escutar, lá no consultório, e o rombo na carteira, após somar o que ficou na farmácia, desde os primeiros sintomas, que isto de se estar doente aqui na Lusitânia, é coisa que fica mais caro do que ir jantar ao Casino. Somei-lhe os trocos que não ganhei por não estar em condições de tocar, e tive de tomar mais um comprimido. Calmante, óbviamente.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Mistério
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Pérola
De volta das tralhas no meu sotão, perdi-me um bocado no tempo, mais do que a ouvir-los, a rever-lhes as capas. Dos meus vinis, que tantos bons momentos ainda vão proporcionando. Alguns, verdadeiras pérolas, seja porque muito me dizem, porque me recordam vivências passadas, ou mesmo por serem raros. Este que aqui se apresenta de contracapa, reúne tudo. As canções são das melhores que o Tordo fez (presentemente nem me tem agradado muito, confesso), as letras, fabulosas, do Ary, os arranjos, também magníficos, do Pedro Osório, uma participação muito bem conseguida, da Adelaide Ferreira, e um leque de músicos de primeira. Tudo isto é mais que suficiente para o eleger como vinil de ultra estimação, mas a raridade deste disco, é que tem as assinaturas do Tordo e do Ary, feitas ali na minha frente, quando o comprei, no seu lançamento, numa remota Festa do Avante, no Alto da Ajuda.quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
o fumo e a beata
Agora querem que os fumadores não fumem NEM À PORTA dos estabelecimentos. Exagero. Já lhes bastava terem de sair para a rua, por vezes ao frio e à chuva para saciarem o vício, e agora impõem-lhes perímetros de segurança... Considero perseguição. Por outro lado, apoiaria a coima a quem joga as beatas para o chão, ou as apaga nos areais da praia. Porque ao legítimo direito de fumar que se confere ao fumador não tem implícitamente de se associar a palavra porco.vão-se os anéis
Anda um gajo a poupar em tudo o que pode, a dizer não-te-abras à carteira, a remendar aqui e ali, e a improvisar mais acolá, a inventar técnicas de segurar os tostões, e adoece-me a bicha. E logo com a única forma de salvação pela via cirúrgica, a custo superior a um ordenado mínimo. Agora vejo-a, recomposta, rejuvenescida e alegre, sem sequer se incomodar com a cicatriz que lhe atravessa o ventre, e sinto que foi feito aquilo que tinha de ser feito. Pela bicha, e pelo meu egoísmo, pois ela faz-me falta, porque me limpa das neuras, que trago quando naqueles dias em que tudo corre ao contrário, me espera sempre com a mesma meiguice e fidelidade. Ou não fosse o cão, o melhor amigo do homem.
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