So long Gary Moore, os blues não serão a mesma coisa sem ti.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
domingo, 6 de fevereiro de 2011
De Sintra aos Mouros
A ideia de palmilhar trilhos históricos, em forma de peregrinação, sempre me fascinou, de várias formas, desde a imaginação do fantástico, da História, mais ficcionada ou não, de como seriam as coisas em tempos idos. Caminhar em trilhos, pensando que estes, hoje turísticos, porventura já eram trilhos medievais, corridos, pisados por outras gentes e outras necessidades, que não a minha, a de submeter os meus quilos a mais ao desafio - o carro fica aqui em baixo, e agora a tua meta está lá em cima. Confesso que ao fazer a foto, não acreditava ser capaz de rebocar este corpo por via caminhante, ao topo, mas, pasmei-me, até nem foi nada difícil, na ida, no regresso, e o preço das paisagens intercalares não tem cotação. Agora resta descansar do dia de suposto descanso, e quem sabe, mais tarde meditar, à lareira, a saborear um tinto, sobre o quanto deviam sofrer as gentes medievais - é que se já me foi complicado fazer o trajecto em vestes suaves e confortáveis, como não seria de armadura, espada à cintura, e todos aqueles adornos que se vêm no Braveheart...?

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
ordem para sorrir
Hoje nas rádios, o convite em modo de desafio é que se sorria. Nada contra. Gosto de sorrir, que me sorriam, e de boa disposição. No entanto, sorrir nestes tempos conturbados de incertezas, e poucos ou nenhuns horizontes risonhos, é acto complicado, principalmente para quem anda da rua de papel na mão a mendigar uma carimbadela, com a absurda e inútil finalidade de justificar a busca de emprego. Num país cada vez mais em desiquilíbrio, onde as imagens dos tumultos no Egipto suscitam comentários do tipo - e qualquer dia vai ser aqui. Existe quem, como Medina Carreira, anteveja que a malta vai acabar por andar à estalada. Admito que quando ouvi pela primeira vez essa professia, chamei doido ao ex-ministro que afirmava ser uma consequência inevitável da progressiva falência da nossa economia, e que bastava fazer as contas. Hoje já vejo a coisa com outros olhos, concluindo que um dia chegará o da tal gota que faz rebentar a tampa.
Mesmo sabendo que a coisa está séria, e que a uns a vontade que dá é de chorar, que se sorria sim, faz bem e não é tributado, que se saiba.
Faz todo sentido incluír aqui um dito popular que a minha avó dizia, vez ou outra:
"vamos lá cantando e rindo, que isto um dia acaba triste" :):):)
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Usos e Esquemas
Conheci o JP, na década de 90. Homem para uns bem conservados sessente e poucos anos. Administrava uma empresa de distribuição, representante de conceituadas marcas cujas sedes, visitava com frequência, por essa europa fora. Em Portugal, fazia com alguma periodicidade algumas convenções de vendas, onde, em hoteis de grande porte, eram expostos os productos, à clientela que caso tivesse alguma dúvida, logo era esclarecido por um comercial da empresa, ou por uma prestável menina, contratada para o evento. As meninas, sempre jovens, eram, para além das canetas caras, charutos e Jaguares, a perdição do JP, que usava habitualmente a mesma tática de sedução - no meio de promessas várias e vagas da colocação da menina nos quadros da empresa, lá carregava o JP a que mais lhe agradava, (ou se prestava ao efeito) para as convenções, congressos, deslocações ao estrangeiro. Sob pretexto da contenção de despesas, a promitente promotora era avisada já no local, que teria de partilhar o quarto com JP, que previamente tratara de garantir, não duas camas, mas uma cama, de casal. Assim procedia, aos olhos daqueles que de perto, testemunhavam este invariavel procedimento, que depois terminava com uma desculpa esfarrapada à candidata a promotora comercial - a menina não reúne as condições pretendidas.Tudo caminhava às mil maravilhas ao JP, até que se ter perdido pela difícil L, promotora de uma marca concorrente. A L era sem dúvida bela, capaz de despertar desejos a qualquer macho que se preze. Mas claro, o JP foi mais longe, e tratou de assediar a L para a sua organização, proeza que conseguiu, dado que a remuneração era deveras tentadora. Logo de seguida, o JP coloca em acção o plano B, uma deslocação a Barcelona. E claro, a L teria de o acompanhar, sendo devidamente compensada pela empresa. A tudo isto, a L não achou estranho, dado que já fizera deslocações na empresa anterior. Até que se chega ao episódio do quarto único. Nunca cheguei a saber o que se passou no quarto com uma cama, algures em Barcelona. Sei o que quase todos souberam, porque estas notícias voam - que a meio da noite, a L saiu do hotel, deixando o JP a ressonar. Dele, apenas trouxe o telemóvel, e desse fez apanas uma ligação, à mulher do JP.
E por aí ficou o assunto. JP, apostara no cavalo errado, que lhe acabou com o esquema.
Recentemente, perante as notícias do assassinato em Nova Iorque, pensei, onde é que eu já vi isto? A cama, o cavalo errado, e o fim do esquema.
oh não!!!
O ambiente estava agradável e acolhedor, lá no restaurante, na noite de sábado. A lareira estava acesa, a iluminação a meio gas, e das minhas colunas saíam uns suaves acordes de música ambiente.Vi-os chegar, no balcão da esplanada, bebericando o café antes de me lançar a eles, aos clientes que iam entrando, gente de nível, dizía-me a L, a funcionária de serviço, a julgar pelos carros que estacionavam.
E lá fui, música após música, fazendo parte do conjunto de coisas a servir ao conforto e bem estar do pessoal que revelava um bom gosto para os temas que fui propondo, até que uma menina sai da mesa e se dirige a mim, e fica ali a observar-me. Páro de tocar, e digo solícito à menina que não devia ter mais de três aninhos - queres que te cante uma música só para ti? Envergonhada, ela faz que sim com a cabeça, a mãe já prepara a máquina para as fotos da praxe. E continuo solícito - e qual é a música que queres que toque? Preparando-me internamente para cantar os patinhos, desabo na proposta de petiz, que pede, irredutível - o pai da quiancha.
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