quinta-feira, 6 de maio de 2010

Escapar é preciso


Depois de uma atribulada batalha por um sinal de internet, que teimava em baixar, e se perder, até ao descalabro de não o ter por mais de um dia, com transtorno directo no trabalho, porque o resto pode sempre esperar, eis que retorno às merecidas escapadelas, e para inaugurar, nada melhor do que o mergulho inaugural da época nas cristalinas águas de Galápos, que hoje estava assim (ver foto acima e ao centro). Segue-se uma tarde de músicas. O mexilhão e o branco seco? Só mais tarde, que o dia de folga tem de esticar.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Há sempre uma primeira vez

Acabo de me inscrever, sou voluntário.

A verdade da coisa

Sou adepto do real, não do ilusório. Mais que adepto, exijo, e quando me sinto enganado ou iludido, afino, vou aos arames, e reclamo.
Por isso não suporto o karaoke e seus craques, nem os midi-files, e por isso não suporto suportes gravados em exibições ao vivo. O play-back mete-me nojo. Se assim o sou na música, sou-o também nos restantes capítulos da vida. Quando é para a fantasia, deixo-me embalar, e desligo do real, e no que é real não deixo por menos do que a situação seja... real.
Por vezes num almoço, como o de hoje, em que fomos muitos, e logo, muitas opiniões, as conversas extravasam, e o discurso que manipulou as conversas, foi, desde as azeitonas à bica - o FCP/SLB. E claro, que num universo maioritáriamente SLB, o coro de protestos foi constante, bem como as juras de vingança, e a promessa de festão no próximo domingo. Até que um ilustre, e quase desconhecido, adepto assumido de um também quase desconhecido Vitória de Setúbal, proferiu uma afirmação que incendiou ainda mais os inflamados SLBs - para que recorrer a batota, quando se tem o mérito? Porque não ganhar sem batota, quando afinal até se tem a melhor equipa e o melhor futebol?
Concordei, e pensei que nunca poderia divulgar a minha música, e conseguir os meus intentos, recorrendo a recursos dúbios. Perderia todo o sentido. Se é música, que se faça música, se é desporto que se pratique o desporto.
Contudo, já de saída, ainda divulguei à mesa, o meu lado corrupto em forma de dúvida - se me pagassem bem, num qualquer concurso de músicos, eu desafinaria a viola do meu concorrente?
Hummm, não creio. Nem todos são bemmequer, nem todos são malmequer, nem todos são benquerença. E ainda bem.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Ela, a net

Hoje, finda a labuta preparava-me para atacar duas músicas na net, cuscar aqui e ali, e depositar um post aqui, e nicles, ela, a net, foi-se.
Confesso aqui que dependo moderadamente da internet. Com os tempos e suas mudanças, acostumei-me, e acomodei-me quanto às vantagens deste prodígio. Se no dia a dia profissional ela, a net, se torna cada vez mais presente, e por isso há que jogar numa corda-bamba, entre o uso, com o devido proveito, e a capacidade de autonomia, quando ela, a net, não está presente, no campo pessoal há que usar do mesmo truque, usar sim, servir-me sim, mas alto aí, nada de dependências. Se não falas pela net, telefona, se não há rede, visita. Se não podes tirar os acordes, e as letras, com ela, a net, vai tudo à moda antiga, vulgo - à mão. Em muito outros aspectos, sou irredutível - prefiro o olho no olho, e um cafezito, ou porque não um jantarinho, em vez do matraquear dos dedos, em sessão do messenger, e recuso solenemente as hortas do Facebook, pois não há nada melhor que cuidar dos meus canteiros de hortelã, salsa e coentro. Faça chuva ou faça sol. E o cheirinho que deitam? Nada a ver.

domingo, 2 de maio de 2010

Adiamentos

O calendário anda-me a adiar os prazeres. Ontem foi a viola, hoje a praia. Bem, a praia,naquele sentido de corpo ao léu e mergulho no oceano, porque no sentido de palmilhar areia batida na maré vazia, lá isso valeu, os óculos de sol renderam, ou não fossem os tais progressivos que me devolveram o prazer de olhar tudo à minha volta, incluindo cuscar. De facto só não se levantou voo dado o peso que carrego.

Mudança de planos proveitosa - dia da Mãe, em forma de convite não esperado, nem por mim, que o fiz, à mamã, para um petisquinho. Adorável, e muito bom saber que a Mãe dos meus dias se encontra uma velhinha feliz com a vida. Escutar uma afirmação destas, e fazer parte do processo, tem um sabor sem dimensão. Dos prazeres adiados, valeu este prazer, inesperado.

Vamos então assistir ao desfecho da batalha do FCP-SLB, o qual, pelo que escutei, e já vi, me lembra o verão quente de 75. Tão amigos que eles eram... Só espero que não adiem o jogo. Mas como se diz que não há duas sem três...

2ºde Maio, 1º de praia

Providencial o telefonema justamente quando estava a preparar-me para mais uma noite de toques - olha que hoje estamos fechados, é 1º de Maio!
Como é que fui esquecer o detalhe. Lógico que o restaurante teria que estar fechado no 1º de Maio, e logo ali, no Seixal, terra vermelha. E lá fica a viola no saco, que é como quem diz, no estojo, a aguardar a sua noite de debutante.
Salvou-se o serão com um espectáculo do Tito Paris, seus convidados, suas mornas, coladeras e batucadas, e a minha cada vez maior convicção de que existe um consistente cordão umbilical entre certas melodias e harmonias da música caboverdeana, o chorinho brasileiro, e o nosso fado.

Agora, vai de rebuscar a toalha, os calções, o protector solar, os auscultadores, e claro - os meus óculos de sol. Declaro-me aberto para a época balnear. Vamos a la playa, oh oh oh.

"Já arranjei muito bem, tudo quanto comprei prá praia levar..."

sábado, 1 de maio de 2010

Egoísmo

Hoje é 1º de Maio, e é sábado. Podia estar nostalgico dos primeiros primeiros de Maio, após o 25 de Abril, vividos lá, onde eles acontecem, mas não estou. Hoje trabalhei duro, toda a manhã, após mais uma noite de músicas, e podia sentir-me revoltado porque trabalhei no dia 1º, e cansado, mas não me sinto. Hoje podia estar apreensivo pelo estado mental de todo um governo que continua a fingir não haver crise, e que se prepara para me, e nos, entrar mais uma vez nos bolsos, nos meus, dos meus filhos, netos quando os houver, e se os houver, e nos dos outros, mas já nem me sinto. Hoje podia ter achado piada à notícia sobre os milhares de euros que vão ser gastos a colocar o senhor Ratzinger debaixo de olho, não vá ele fazer mais alguma asneira, bem como os óbvios prejuízos directos a um país, em calamitosa situação financeira, que mesmo assim vai parar, porque sim, mas não achei piada. Hoje, sábado, véspera do domingo, onde se anunciam batalhas campais, se prevêm apedrejamentos, tumultos, vinganças, se clamam os túneis, e tudo isto porque vai haver um jogo de futebol, eu podia achar afinal que em suma, de futebol, pouco se fala, do desporto nem se fala, mas nem acho nada.

Hoje, sábado, 1º de Maio, alheio-me, abstraio-me, desligo do resto e só penso no enorme prazer que espero ter logo á noite, ao dedilhar em público, a minha nova guitarra, e partilhar os seus sons com quem por ali estiver.

Penso também qual a música da inauguração, mas isso mais tarde se decidirá. Tenho de olhar para os presentes, estudá-los, e depois, sim, decidir.

" Music was my first love and it will be my last"