quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Á G U A

Não páras de cair.
Molhas-me dos pés à alma.
Inundas-me o país.
Que te não sabe reter.
Ensopas-nos no Inverno.
E secas-nos no Verão.
Quem te envia, dizem, é São Pedro.
Mau doseador pelos vistos.
Os do meu país, maus arrecadadores, pelos vistos.
Precavidos os nossos vizinhos, os de Castela, que a guardam.
...
És H2O. És grande parte do meu corpo. Vital.
Adoro beber-te. Sacias-me. Sustentas-me. Equilibras-me.
Adoro também misturar-te, feita gelo. On the rocks...
Momentos que não dispenso, são os de contemplar-te.
Bebo-os com os olhos.
Estabilizas-me.
Mergulhar em ti, se és mar, despeja-me de tudo o que é negativo.
Renovas-me.
...
Pedem-me para te poupar.
Não te esbanjo.
Porém,
O exemplo tem de vir de cima.
E não só -
ou há moralidade ou comem todos.
E por isso Amiga Água,
enquanto houverem tantos campos de golfe,
enquanto, o Google Earth me mostrar as escandalosas piscinas privadas!
Eu te garanto:
Tomarei o meu duchinho generoso.
Farei uma emulsão, vez ou outra, até encarquilhar a pele dos dedos.
Bem vez, portanto, Amiga Água, do que te gasto...
....são gotas.
Que despejas ali fora, neste momento.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Canteiros


Como bloguista recente, assumo ser uma das pequenas rotinas que me agradam manter - postar. Embora não seja um vício, acostumei-me a colocar por aqui algumas das minhas impressões, confesso que em grande parte, para mais tarde recordar (caso não venha por aí um tsunami informático que varra tudo), e por outro lado, e num segundo plano, agrada-me ler os espaços de outros, e ser lido.

Cultivo este espaço como um canteiro de ideias e de imagens, que a ser mantido irá espelhando parte dos meus momentos e sentires, tal como ao longo da minha vida, o testemunham os meus pequenos nadas que me fazem viajar - uma fotografia antiga leva-me à época em que foi tirada e as recordações afloram, tal como uma capa de um vinil, ou de um livro, onde habitualmente escrevia a data e local de compra, e assim será quando mais tarde viajar neste e noutros blogues que vou seguindo, outros canteiros aos quais também me acostumei, e tudo isto, de certo modo faz parte de um espaço, onde cada um com a sua enxadinha vai cuidando do seu quinhão.


"Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante"


segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Júri? Onde?


Júri - juíz - aquele que decide, aquele que avalia, e determina, aquele que julga.


O júri dos Idolos não é nada disso - júri, e ainda ontem se confirmou. Direi que o grupo de potenciais cantores que se apresentou ontem a este "júri" tem qualidade e profissionalismo, coisa que os julgadores não têm. Estes miúdos têm capacidades para ser o que se propõem ao contrário do outro grupo que está sentado naquelas cadeiras, por duvidoso mérito.
Ontem passou-se mais uma dessas noites de canções bem cantadas, bem interpretadas, por gente que revela muito talento, acompanhados por músicos competentes. Falhou no seu desempenho, como sempre o júri.
Não precisamos de saber se o Manél gosta ou não das músicas. O pessoal está-se borrifando para os seus gostos, os beats e os pops, o pessoal quer decisão justa e não saber se ele detesta Scorpions. O Manél ontem, foi totalmente tendencioso, para o mal de alguns e para o bem da sobrinha.
Escapa-se o Laurent, que quanto a mim é o elemento do júri que melhor veste essa pele, com alguma imparcialidade, e demonstração de conhecimento daquilo que lha pagam para fazer - ajuízar.
A menina Roberta, é uma querida, é muito bacana, mas para além da indiscutível beleza, está ali apenas para concordar com este ou com aquele, e é... bacana. Pergunto se aqui em Portugal, não teríamos outra pessoa, de nacionalidade lusa, melhor habilitada para a função pretendida. Creio que o assunto tem a ver com o pai dela, mas é apenas suspeição.
O Boucherie é uma nódoa como júri, mete os pés pelas mãos, tenta entender música, pensando que lhe basta estar documentado com detalhes de menor importância, embora mal, como se verificou na informação que transmitiu, onde quis dar uma de sábio ao dizer que o tema dos Anjos, eu estou aqui, é um tema de uma novela. Faltou-lhe dizer, o que decerto não sabe - este tema é uma cópia do tema yo soy aquel de um cantor espanhol de nome Raphael, gravado nos anos 60. Confira-se no Google. Mande-se tapar a boca ao Mr.B.
Dos Meninos - Filipe, confirma-se.

(Des)evoluções


Uma das notícias destes últimos dias, falava qualquer coisa como isto – no dia 25 de Dezembro as vendas de e-books ultrapassaram as vendas de livros-livros.
Em primeiro lugar, um e-book, para mim, não é um livro.
Em segundo, há que considerar que nesse dia, as lojas de livros, estavam encerradas, dando por assim uma conotação de enorme parcialidade à informação.
Do rescaldo dos presentes com os quais fui brindado, destaco os livros. Recebi alguns, adquiri outros, pelo que haja tempo e vontade, que leitura não falta. O livro, é dos objectos materiais que mais respeito – para além do seu conteúdo, um livro agrada-me pelo toque, pelo cheiro, pelo grafismo, pelas notas, agradecimentos, prefácios, gosto até de saber onde foi impresso. Folhear um livro, entrar em páginas ao acaso é um exercício aleatório que muitas vezes faço, como se fosse um aperitivo à sua leitura, ou, como em outras tantas vezes, o folheio naquela tentativa, por vezes vã, de tentar saber se vale a pena levá-lo comigo.
Tenho livros em toda a parte, e em muitos lugares gosto de os saborear, seja à cabeceira, ou até mesmo na casa de banho. Sabe-me especialmente bem levar o carro tão próximo e em frente ao mar quanto possível e entregar-me à leitura, com uns clássicos em som de fundo.
Devoto incondicional do livro, defendo-o também, incondicionalmente, e certamente não serei consumidor de e-books e caso o venha a ser, apenas será por ausência de alternativa, ou seja necessidade pura. Prevejo que alguns modernaços adiram, incondicionalmente ou não, a esta moda, e os vejamos a e-bookar nas esplanadas, e até nas praias, não pelo prazer da leitura mas por ostentação saloia. Eu continuarei fiel ao livro. Por tudo. E se não houvessem todos os motivos, bastaria este – um livro não gasta energia.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Metas e Desejos


Acredito sempre na evolução, em prejuízo da estagnação, acredito na luta e determinação, mesmo quando as circustâncias nos são adversas, e não se vê a luz no fim do tunel. Necessito por natureza de estabilidades, mas também de mudanças, e daí uma razão lógica e óbvia de estabelecer Metas que são Desejos ou o inverso, tanto faz.
Finda a quadra que acabámos de atravessar, não fica nada fora de tom nem de compasso, aliar a reflexão e auto-propostas que sempre são da praxe nesta época, às que afinal podiam acontecer em qualquer momento do calendário. Coincidência ou não, darei hoje um passo no sentido da meta, para que a seu tempo de cumpra o Desejo.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Fernão Capelo em Sesimbra




overture 2010 e os 3 andamentos

Do inicio deste novo ano que se precisa melhor que o finado, o que decerto não será nada difícil, se tivesse que eleger um tema que me tocou nestas últimas horas, claro que seria a música. Como sempre. Cada vez mais presente, mais certeza, mais necessária e que se renova a cada espaço de tempo, seja por meros segundos como horas e horas, basta buscá-la. É certo que existem outros assuntos, gentes, afectos, trabalho, matérias das quais há que prestar a devida atenção, mas no plano de eleição, e de escolha, reafirmo - música. Música que em várias vertentes me toca e me afecta, em todos os sentidos. Da noite de quinta até hoje, destaco-a assim, em três andamentos.
...
O primeiro andamento começou na noite de 31, a tocá-la e cantá-la, num ambiente acolhedor, com gente bem disposta, e simpática, onde fui convidado para fazer o que mais gosto, um previlégio, portanto. Boa maneira de começar o ano, naquilo que se gosta, e afinal faz todo o sentido que assim seja, ainda para mais temperado com a presença da minha amiga A...

Eram cerca das três da matina, quando acabaram as canções, a voz estava rouca, os dedos doridos, mas a alma satisfeita com este entrar no novo ano.

Viola no saco, e descanso do guerreiro, pois há mais duas noites de baladas pela frente.







Segundo andamento, já no dia primeiro, o concerto de Ano Novo, em Viena, dirigido magistralmente pelo jovem maestro Georges Prête, de 85 anos. Admiro com enorme respeito a figura do Maestro, o timoneiro da orquestra, que tem dentro de si, todas as partituras, com todas as notas musicais que se apresentam diante de cada executante. O Maestro é sem dúvida um ser especial, dotado. Foi bom mais uma vez, deixar-me levar pelas valsas, polcas e marchas, e rever as imagens do Danúbio que de azul não tem nada, mas isso é detalhe. Há tradições que são tão boas de manter, e esta não dispenso.



O terceiro andamento é assunto mais sério. O Zé Pedro encontra-se hospitalizado. Além de fâ incondicional dos Xutos, das músicas, dos músicos, da força, presença, estilo e preserverança da banda, em alguns momentos do meu caminho musical tropecei aqui e ali no fenómeno X&P, e daí que a minha preocupação ultrapasse a condição de adepto. Força Zé. A tua Gibson está à espera de ser tocada. X