terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Enfim, gela-se!


O vidro do carro com uma camada de gelo, as árvores e as ervas de verde tapado pelo branco, falo e sai aquela neblina, as mãos pedem luvas, a cabeça um gorro, assim sim, estamos no Natal.
Que me desculpem as pessoas dos países quentes, mas o Natal sem estes condimentos, é como beber uma cerveja morna. Venha de lá um cacau, escandalosamente fumegante.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

breves...


Com todo o seu rigor, chegou o frio, vivam os agasalhos, a ponta do nariz gelada, e uma velhíssima saboreada à lareira.
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Leio na Sábado que existem pessoas no Facebook com mais de 5000 amigos. E eu a pensar que amigo é coisa rara.
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Leio ainda na mesma Sábado que o que está a dar é twitar, e que blogar caiu em desuso. Estou fora de moda. Assumo, e gosto.
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No National Geographic a velha questão - haverá nos milhares de outros planetas por esse universo fora, vida, seres inteligentes? Espero bem que sim, e se não mais inteligentes que a espécie humana, ao menos que seja melhor, o que não é nada difícil.
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Seixal, perto das 16:30, beira rio, passeio no calçadão, e eis que um cortejo de carros topo de gama, de marcas topo de gama, com motores de avião passa na avenida. Existe agitação entre alguns caminhantes, são os garbosos jogadores do SLB rumando ao centro de estágios, dos rostos que vislumbrei, achei-os muito "cara de poucos amigos", é o que dá não terem Facebook. No regresso, imaginei como estaria a disposição dos guerreiros do relvado do meu SCP...
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Idolos. Tenho quatro favoritos - a Solange, a Inês, o Filipe e o Salvador. Como escolher, leia-se decidir, é por vezes doloroso, muito me doeria não eleger os quatro, e ter de escolher quem é música, força e animal de palco dos pés à cabeça - o Filipe.
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Muito ao seu estilo cinzentinho, o Constâncio, quase de partida para a Europa, diz mais uma coisa que todos sabemos, sobre as contas públicas. Porque será que pagam tanto dinheiro a um tipo que apenas aponta o erro, e nunca a solução?
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Berlusconi levou uma chapada nas ventas, que o vai retirar perto de um mês da cadeira do Governo. Só não entendo porque prenderam o agressor...

domingo, 13 de dezembro de 2009

MAR

sem ti, sou menos eu



sábado, 12 de dezembro de 2009

Pormenores


Não quero ser chatinho, muito menos repetitivo, mas as notícias que me entram pelos canais ocular e auditvo, falam mais forte.
No mesmo dia em que com a pompa esperada o nosso Governo anuncia o seu passo para a milionária obra do TGV, um pai, algures no norte do nosso país, desespera porque a Segurança Social lhe negou a verba necessária para uma cadeira de rodas para a filha, alegadamente por não existirem meios financeiros.
Que nome chamar a esta gente?

Visitas do (e ao) Passado

Não que tivesse esquecido de todo, mas estava tão arrumadinho nas minhas gavetinhas íntimas do passado, que talvez só a custo me viesse a recordar, mas aquelas faxinas que por vezes nos propomos num tempo livre, levaram-me a, acidentalmente esbarrar num monte de fotografias, de um passado, que estava na tal gavetinha. Depois foi, rever uma a uma, as fotos, do passado, sem pressas, e sem nostalgias, e voltar a guardá-las, engavetá-las no passado a que pertencem, e voltar ao presente, afinal, a realidade, e quem sabe, num outro futuro eu abra de novo a gaveta, do passado. Who knows?

Voltinha Matinal

Sabe bem emperaltar-me para os trilhos, e a dois passos da porta mergulhar nos muribundos pinhais, agora urbanos, que o Homem ainda não loteou. Ainda mantêm os cheiros de outros outonos e invernos, o orvalho, os bogalhos, as pinhas, as tocas, os musgos, e aqui e ali, o chilrear de uma ave. Mantêm também, aqui e ali, os dejectos nojentos da condição do ser Homem com "h", os entulhos de obras, de oficinas, e os famigerados plásticos. Mas mesmo com este detalhe cada vez mais presente, é bom demais fazer uma caminhada matinal, de sentidos abertos. Eu gosto. E as minhas meninas também.
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Conto

O Caminhante seguia como fazia séculos após séculos, por todas terras, em todos os reinos, mais tarde repúblicas, no seu errante trajecto, dando uma palavra de acalento a uns, providenciando a outros, necessitados, apenas com um toque das suas mãos. Diziam os mais velhos que o Caminhante não tinha idade, que era intemporal, que já tinha visto de tudo, que tudo resolvia, e que a sua bondade era infinita.
Conta-se que dias atrás, em terras de Viriato, se cruzou com um homem que chorava amargurado, e logo ali lhe inquiriu:

Porque choras bom homem? Porque ao homem não fica bem andar por aí a chorar!
Choro porque não consigo entender nada.
Como te chamas, homem que chora?
Chamo-me José, e já agora quem é o senhor, com essas vestes, essas barbas e esse cajado, e esse cheiro a água de colónia Lavanda?
O meu nome não te interessa José, mas chamam-me Caminheiro, aquele que muito caminha, tudo sabe, a todos resolve os seus problemas, e se teu problema é apenas entender, aqui estou para te fazer entender.
Muito duvido, senhor Caminheiro, que tudo sabe e tudo resolve, mas se quizer pode tentar.
Deita cá para fora José, que eu tenho explicação e entendimento para tudo, mas pára com essa mariquice e limpa-me essa cara.
Tem a certeza de que me vai explicar o que não entendo?
Vai fala!
Bem, então é assim, este ano está a acabar e existem uns quantos assuntos que não entendo, mas que gostaria que alguém me explicasse, para que eu pudesse entrar no novo ano com alegria, com esperança numa vida melhor.
Deixa-te de rodeios, que tenho que continuar o caminho, e faz-se tarde, desembucha.
Então meu bom Caminheiro, explica-me porque aqui na minha terra, os senhores que mandam em tudo, compraram submarinos que não vão servir para nada, compraram helicópteros avariados, os banqueiros roubam os seus clientes, e nada lhes acontece, oiço falar de escutas, operações-sucata, Freeport, Casa Pia, e nada parece ter solução ou no mínimo culpados, alguns dos nossos bebés vão nascer em Espanha, pagamos os combustíveis mais caros que os outros, as fábricas fecham, as dívidas aumentam, os desempregados também, e como se isto não bastasse, a TAP apresenta graves prejuízos, e a CP também, e nos CTT a gestão danosa, e oiço falar em TGV's só para passageiros, e novos aeroportos, e parece-me que até morrer vou ter de pagar isto tudo, e dinheiro da reforma nem vê-la, porque a Segurança Social também está falida, mas o senhor dos senhores, aquele que manda mais, diz que estamos bem, e eu não entendo nada, porque parece que não estamos nada bem. Ajuda-me a entender meu bom Caminheiro, que tudo sabes e tudo resolves.
Qual é mesmo o nome destas terras onde me encontro, José?
Portugal, senhor Caminheiro.
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E mais não disseram, choraram de pulmões abertos, e berraram até que lhes faltassem as forças. Pela primeira vez, em toda a sua eternidade, o Caminheiro chorou, não caminhou, não resolveu, não explicou, porque aquele pequeno país, Portugal, era realmente uma coisa sem explicação.