quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

UmDóLiTá



Não quero ser chatinho, mas as notícias tentam-me - o FMI sugere, que é como quem diz manda, que o nosso governo escolha, entre reduzir a sua própria despesa, a do estado, ou aumente impostos, o IVA. Que difícil esta escolha para os nossos políticos. A mim, um número não me sai da cabeça, 22.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Esta eu quero!!!

Uiiiiiiiii...

Não sei se ria, chore ou fuja

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Perante a avalanche de notícias de rescaldo deste fim de semana prolongado, verifico que umas são hilariantes, outras irrelevantes, apesar da forma pomposa com que nos são impingidas, outras preocupantes, e outras, que se tentam aligeirar, dramáticas. Apetece-me comentar, talvez, para mais tarde confirmar se ri, ou chorei, ou fugi.
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Obama, o recente prémio Nobel da Paz, acaba de anunciar que vai enviar mais trinta mil soldados para o Afeganistão, e relembra à Nato que tem de fazer a sua parte - alinhar. Mais trinta mil pais e mães que ficarão de coração apertado. Não estou a ver, na prática, e por enquanto, grande diferença. Entre este e o outro.

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Por cá, celebrou-se a entrada em vigor do Tratado de Lisboa. Bairrismo puro. Saloismo puro. Vamos ter mais do mesmo, com a Alemanha e a França a ditar a pauta. Não recuperaremos as pescas, a agricultura, as indústrias e os comércios. O Tratado foi porreiro, e mais nada. Gostava de saber quem pagou aquilo tudo.
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Na onda do bairrismo tivemos também a Cimeira cuja pompa e importância empalideceu, com as ausências de dois polémicos dirigentes, e o baldanço de Lula, que se pirou à socapa. Sobraram o tema Honduras, e os discursos enfadonhos. Mais uma vez, gostava de saber quem pagou os hoteis, as limos, a segurança, os banquetes...
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Comemorou-se no democrático Portugal mais um 1º de Dezembro. Ao que consta, dois partidos políticos, não puderam comparecer (coisas dos porteiros e seguranças e assim) e António Costa, o Presidente da Câmara da Capital, não compareceu. Talvez porque esteve a servir à mesa na Cimeira, ou no Tratado, que um homem pode valer por dois mas não se desdobra.
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O desemprego deu mostras de recuperação. Os dois dígitos tão esperados lá para a Primavera de 2010, revelaram-se em Outubro. Estamos com mais de 10% de desempregados. Haja algo que se antecipe em Portugal.
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António Barreto declarou recentemente que Portugal está à beira da irrelevância e talvez do desaparecimento. De irrelevante, creio que já temos uma boa dose. Do desaparecimento, sem dúvida que caminhamos para lá. Basta acompanhar e projectar a um futuro próximo, as análises de Medina Carreira ou Camilo Lourenço.

Nisto do desaparecimento, fica-me uma dúvida - como será o meu Passaporte no futuro, e lembrei-me daquele filme do Tom Hanks - O Terminal.


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Aqui bem perto de mim, em Palmela, uma fábrica de componentes para automóveis, a Lear, vai fechar as suas portas, ajudando aos dois dígitos do desemprego com mais 2.200. Fonte próxima, um futuro desempregado, meu vizinho, garante-me que outras se seguirão, e todas elas têm uma coisa em cumum - fornecem a Auto-Europa. (a este vizinho, não poderei desejar Boas Festas, né?)
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Mas porque tudo tem finais felizes, escutei José Sócrates aparentemente alheio a isto tudo, a afirmar que a economia está a acelerar, qual TGV, e que o desemprego logo voltará a diminuir. Dito pelo homem que prometeu milhares de empregos quando obteve a maioria absoluta, e olhando para os dígitos, só tenho que acreditar. Eu e o meu vizinho. O resto é má lingua, coisas da reacção, oposição, e de gente que não é moderna.
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Limites do Infinito

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"De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
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Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
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E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive,
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
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Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure"
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Vinicius de Moraes - Soneto de Fidelidade - Estoril - Portugal,10.1939

(das) Lebres e (das) Tartarugas



Uma das razões porque, quando em passeio nunca vou por auto-estradas, e sem o fatídico relógio a comandar, é a de poder fazer os desvios que bem entender, debicando aqui e acolá, paisagens, aldeolas, caminhos, pontos de interesse que por vezes nem estão no mapa, nem no GPS. Ir de A a B, passando pelos Cs Js Ms Rs, torna cada percurso diferente, especial e único. É um pouco como um improviso musical com um tema base, onde o músico, pode, dando largas à sua criatividade, entrar e sair do tema, que será sempre o elo de ligação, o início e o fim.
Viajar assim só tem um contra - naquelas conversas em que cada um revela ser um Ayrton de Sena, com aquelas tiradas do tipo, fiz Lisboa-Algarve em 2 horas e 20, eu tenho de admitir que fico muito para trás, pois por vezes demoro mais de meio-dia...

Pensando bem...

... o presente que pedi para o sapatinho era exagerado, estamos em crise.
Fico-me por este...



Homem com H

Por mão amiga do meu colaborador W, que me emprestou os dvd's, assisti a totalidade de uma telenovela intitulada “O Quinto dos Infernos”, cujo tema central é a figura de D.Pedro. Dado que li há meses o livro 1808, que relata toda a trapalhada da ida para uns, fuga para outros, da realeza portuguesa e sua corte para terras coloniais do Brasil, devorei divertido, este compacto dos Infernos.
Se outras fontes eu não tivesse consultado, a primeira conclusão que tiraria, seria a de que D.Pedro de Alcântara era um tarado sexual, pois seguramente, metade do tempo da realização desta obra televisiva, é gasta em cenas dos apetites sexuais do nosso viril monarca, fornicando qualquer mulher que lhe passasse na frente dos olhos, escravas e freiras incluídas. No entanto alguma verdade existe, no que toca a este assunto, já que lhe é atribuída a paternidade a dezoito rebentos.
Existe no conjunto da obra dos Infernos, quanto a mim, uma tendência que nunca consegui entender senão no plano da ignorância, de ridicularizar tudo o que é português, ou relacionado, exceptuando, obviamente, Pedro. D. Pedro.
Não obstante, estes exageros da (má) realização, são relatados melhor ou pior os factos históricos, que me levaram a mais alguma leitura sobre o personagem Pedro, e que de facto me agradaram. Gostei de D.Pedro.
Foi um homem que não entendia a razão de existir a escravatura, que conversava com o povo, que bebia copos com amigos, adepto de desporto, amante de música, bom em artes manuais, e defensor das suas ideias e daquilo em que acreditava.
Pedro não foi um rei amaricado e aveludado, como tantos reis que da História conhecemos, nem acomodado ao poleiro como os políticos que sabemos.
Um exemplo, portanto, que ficou, a bem da nação.