domingo, 8 de novembro de 2009

Momentos de Glória



Todos temos os nosso momentos de glória. São multifacetados, de pequena ou maior dimensão, aqueles em que nos invade um misto de sentimentos que afaga o ego. Esses momentos são os que elegemos, e que mexem com o que vai dentro de cada um. Um momento de glória a dois, entre quatro paredes, só o será, no meu entender, se for para ambos, no entanto nem sempre a glória é abrangente.
O momento de glória que decerto todos elegemos como inigualável, é o nascimento de um filho.
Outros, o serão menos, mas não deixam de ter importância, fazem parte das gavetinhas do nosso armário de coisas boas, que guardamos.
Ontem tive um saboroso momento de glória. Não o dimensiono, está numa dessas gavetas - tem a ver com a minha paixão pela música, e pelo respeito e admiração que nutro pelos grandes músicos.
Ao chegar ao Taberna, para a minha habitual noite de cantigas, depáro-me com aparato invulgar, agitado, mesas postas decerto esperando grande grupo, e à minha pergunta, veio a resposta, o Carlos do Carmo, vai actuar ali ao Forum com a Orquestra Sinfonietta de Lisboa, vais ter uma assistência de peso. A minha mente levitou - O Artista, os músicos de alta cilindrada, o Maestro, 'tou lixado, pensei. E foi assim que com aquele nervoso miudinho meio adolescente, me preparei para iniciar as canções, não sem antes me dirigir ao Senhor Carlos do Carmo, lhe dizer que ele já cantou para as gerações da família, e lhe pedir permissão para cantar, durante o seu jantar. Permissão concedida, e avancei com o Mãe Negra, e depois... depois foi um rol de temas alinhados na minha cabeça, que fluiram naturalmente, e levaram palmas. De todos. Foi uma honra. Foi sem dúvida, para mim, um momento de glória, e o meu ego vai ficar gordinho por uns tempos. Não é todos os dias que se tem palmas de um Mestre. De vários. Foi a reconfirmação que sem viver a música da forma como a vivo e a posso viver, a minha vida seria menos. Bem menos.


"agarro a madrugada, como se fosse uma criança"


sábado, 7 de novembro de 2009

Two Colours



A manhã está desagradável, e o corpo a pedir para ficar mais um pouco na cama. Na minha cabeça surge um Sputnick com ar de má companhia e segreda-me - vá lá, fica aqui mais um bocado no quentinho, está uma ventania lá fora... Mas logo surge um outro Sputnick, autoritário - ventania? É levantar, colocar mais uma sweat e pedalar, olha a barriguinha, o colesterol e essas coisas todas com que te brindam os 50's. Pois é, penso, o Sptunick bonzinho tem razão, há que mexer o corpito.

De farda outonal a condizer, o Rodrigo Leão nas orelhas, e vento contra, lá sigo artilhado, na arte de bem pedalar, pensando nestas figura imaginárias da nossa consciência, as quais nos habituámos a ver desde a infância, até nos desenhos animados, por exemplo - de um lado um tipinho com a nossa cara, fardado de anjo, celestial, todo de branco, com asinhas e tudo, e do outro lado, outro tipo, vermelho, de pêra, cornos, rabo e tridente. O Bem e o Mal. O Anjo e o Satanás. O caminho do Bem e o caminho do Mal. O Certo e o Errado, que desde a nossa tenra idade formataram o nosso ser, e de certa forma funcionam como uma espécie de censura e tentação. Quantas vezes, em criança eu não escutava, principalmente das minhas avós - olha que o Nosso Senhor está lá em cima a ver tudo, porta-te bem. Os meninos maus não vão para o Céu.

Hoje, não sei quem está lá em cima a ver-me, mas quero acreditar que possam ser as minhas avós, a velar por mim, tal como me lembro, o faziam na minha infância. Aconchega-me.
E creio que, uma delas ou as duas, me disseram a dado momento - vai para casa, pois vem aí chuva, e não podes constipar-te, logo tens de cantar.
E lá cheguei, suado mas enxuto, cansado mas rosado, a notar um ar de satisfação no Sputnick branquinho. Mas agora vou fazer a vontade ao Sputnick belzebu, e esticar-me no sofá, pois todos merecemos pecar de vez em quando. E só espero que durante outros pecados que cometi durante a minha existência, sob influência do Sputnick mau, as minhas avós tenham fechado os olhos, ou virado a cara para o lado...

dica

No próximo dia 13, Andy McKee actua em Sesimbra. Nem todos os dias se pode estar perto de um Mago, e senti-lo ao vivo. Para aperitivo, ir ao YouTube, visionar o tema Drifting, e está tudo dito. O resto é ouvir.


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Era mesmo disto...

... que eu precisava.

Um Lugar ao Sol


Desde os seus tempos de namoro que JB elegeu, junto com a mãe dos seus filhos a música Aquarela, do Toquinho, como A música de ambos. Anos mais tarde JB, elege como se fosse o seu hino motivador, as últimas palavras de um tema dos Delfins, e faz todo o sentido.
As palavras encantadas do Aquarela, foram destronadas pelas palavras de incentivo à determinação. Foi-se o sonho e a imaginação, ficou a realidade.
JB luta neste momento, numa espécie de limbo, por uma vida que lhe foi negada – a sua.
Agoniza, numa espécie de lista de espera para a entrada em outra vida, em outra dimensão, já que aqui, nesta em que se encontra, já lhe foi fechada a porta.
Na espera, e em momentos de pálida lucidez, JB comunica com todas as forças que consegue reunir com quem o acompanha, já que a fala se foi, e foram-se também, os movimentos, e da visão e audição pouco restará.
Conservam-se por ironia, os pensamentos, as tristezas, os questionamentos, a revolta, o pânico, a dor, a humilhação, como se fosse um teste de habilitação de entrada. Não tenho dúvidas, conhecendo como conheço JB, em afirmar que a palavra que mais percorre a sua mente, é esta -
Porquê?



"Vais conquistar um lugar

Juro

Um lugar ao sol

Sempre teu
Sei que é um sonho e não pertence a mais ninguém
O teu lugar ao sol
Não pares de lutar
Agarra o dia a nascer
Há uma batalha a travar
Só tu podes vencer
Só tu podes vencer
Um lugar ao sol
O teu lugar ao sol
Juro
Juro"

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Duas Palavras


Triste país o meu, dos escândalos abafados, das sentenças adiadas, das prescrições, das vergonhas e injustiças em palcos da lei, tais como o que se adivinha no desfecho do caso Casa Pia.

Triste país o meu, em que se elogia um homem, de alto cargo bancário, por se ter retirado de funções, perdendo o escandaloso ordenado mensal de 34.000€00, porque no exercício das suas funções de alto cargo bancário, alegadamente, recebeu ilícitamente uns parcos 10 mil.
Fica esquecido o corrupto. Louva-se a nobreza com que abdicou. Triste país o meu.
Duas palavras - Mete nojo.
....
PS
Enquanto estou a desabafar estas palavras, escuto em directo na tv, o nosso PM, no discurso de abertura da AR, a afirmar que fomos dos primeiros países a sair da crise.
Brindo-o, a ele também, com as duas palavras. E como bonus, a de Pinóquio.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Dar Música

Mais uma noite de música que se aproxima. Como serão, os ouvintes de hoje? Hoje aposto nuns parzinhos assim a dar para o romance, talvez poucos, porque vai estar frio a puxar à pantufa, mas por outro lado, pode ser um incentivo ao convite a jantar fora, à beira rio. Estou a pensar em dar-lhes uns mimos, a começar assim - you are so beautiful....to me, e depois, more than words, e I'm easy, a ver no que dá. Depois, logo se vê o que eles merecem mais.