quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Ando com 2 ao mesmo tempo, será bigamia?




estou esclarecido


De uma agradável tertúlia, com os jovens residentes, e outros jovens visitantes, fiquei inteirado sobre alguns parâmetros aconselhados pela malta na casa dos vinte, quanto à utilização das tão mediáticas redes sociais, e outras maravilhas das novas tecnologias - aos cotas da minha idade. E assim sendo, segundo o painel desta geração fiquei a saber que eles pensam o seguinte:

MSN Apenas para conversar com amigos e familiares. Desaconselha-se adicionamentos e conversações entre pessoas com grande diferença etária. Ridículo colocar fotos de há cinco anos atrás - publicidade enganosa.

HI5 Para menores de 30. Está tudo dito. Mais de 50 amigos, soa a bluff.

FACEBOOK Tolerância até à idade de 50 e picos, desde que devidamente justificado, sobre o que é que andamos ali a fazer.

TWITTER Dos 15 até que as artroses, a visão, e outras maleitas o permitam. Está na moda. Vicia. Essencial para certos status.

BLOGUE Dos 12 aos 100, ufa! E liberta os Saramagos, Espancas, Pessoas, Eças e outros que há em nós.

ORKUT Ridículo, e não é para portugueses. Toma.

YOUTUBE Pode aceder-se, independentemente da idade, com as devidas cautelas quanto aos conteúdos. Bom para recordar, tipo RTP Memórias.

SMS axãokpósusaràvontadedesdekuseescritadcóta

MMS Alguma tolerância, necessitando de avaliação de conteúdos e destinatários.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

ÚLTIMA HORA !!!!!!!!!!!

Cavaco Silva, pronunciou-se hoje, por duas vezes, sobre dois assuntos.
Para dizer que não se pronuncia sobre esses assuntos.



I say no, no, no...

Nostalgias IV




Meio quilo de amor

Escuto de passagem: - Gosto muto mais dele do que as minhas irmãs.
E penso, será que estas coisas dos sentimentos se medem? Do tipo, eu gosto mais de ti, do que tu de mim. Não concebo a ideia de medir sentimentos, muito menos de os comparar, como se tratando de uma competição. Esse tipo de pensamento nunca aflora a cabeça de um pai ou de uma mãe, que amam os seus filhos por igual. É como se fosse uma ninhada, e não há distinção.
Sentimentos, sentem-se e não têm medidas, nem em metros, nem em litros, nem em peso.



segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Variações, do António

Partilhei palcos com muita gente. Não vou aqui enunciar, com quem, pois podia soar a pedantismo, o que não pretendo de forma alguma.


Um dos palcos, foi com o António Variações. Em palco, ou bastidores, os grandes nomes, não falavam comigo, mandavam falar, delinear o alinhamento e horário, e outros acertos, sempre necessários ao bom desenrolar do espectáculo. Impunham.


Nessa noite, quem veio combinar horários, quem entra e sai, e quando, não foi nenhum elemento do staff ou da banda. Foi o próprio António. De uma simpatia e educação irrepreensível, de um anti-vedetismo extremo, o António, se já me conquistara com os suas actualíssimas letras, em acordes simples, conquistou-me como ser, Humano. Não houve imposição. Foi em 1983.


Hoje, quase em 2010, tem tudo a ver com a nova consciência in celebrar os 25 anos passados sobre a morte de António Variações, com a venda de um espólio de objectos tais como cassetes, boquilhas, fotos, roupas, adornos, rascunhos, e por aí fora. Terá, assim o presumo, um mediatismo de razoável dimensão, o leilão no CCB, onde figuras anónimas ou não, vão degladiar-se por adquirir este ou aquele vestígio do artista. Haverá lugar a discursos de gente que afirmará que sempre viu no António, o seu ídolo incontornável, outros afirmarão que desde a canção do "comprimido" detectaram o génio que se veio a comprovar mais tarde, enfim, haverá uma legião de seguidores "Variados" desde a primitiva. Uns terão desculpa, porque eram criancinhas na data, a de 25 atrás, e outros, não a terão, pois já tinham idade para comparecer na última homenagem ao homem que deu uma pedrada no charco do nosso recente desamordaçado Portugal. António tinha todos os atributos do provocador, do persona non grata, era excêntrico, teatral, homosexual, um quê de doido, irreverente, fora do padrão, vestia roupas que a ninguém lembrava, era cabeleireiro - chocava, portanto. Mas no entanto as suas músicas mexiam com o pessoal. As letras faziam pensar, e fácilmente todos se reviam nelas, embora não o assumissem. Um drama para esses fâs silenciosos. Identificavam-se com ele, mas ele era... esquisito...


Quem não está bem onde não está? Quem não deixa para amanhã o que pode fazer hoje? Quem nunca pensou em chegar ao pé de alguém e à laia de desafio dizer - há uma noite para passar?


Variações, é hoje reconhecido, bem como é explorada a sua imagem, mais que homenageada. De homenagens reconhecidas o António bem se pode queixar, pois o seu funeral foi votado ao mais completo desprezo. Não havia público, não haviam palmas, pouca imprensa, e indesculpável - não haviam, os Artistas. Todo o meio artístico virou a cara para o lado, como é um dos maus costumes de muito portuguesinho, que mais depressa defende causas por carneirismo, do que pela consciência do ser intrínseco.

Por mim, não vou comprar roupa do Variações ao CCB, mas que vou continuar a ouvi-lo e a cantá-lo, isso vou.
Porque, desde que o vi pela primeira vez, no programa "O Passeio dos Alegres", pensei - este gajo vai longe. O António, não foi muito longe, mas as músicas, tão cedo não serão esquecidas.
Também porque, sou ansioso, e por vezes me custe dominar o meu estado de ansiedade.



domingo, 1 de novembro de 2009

fim da linha

Domingo cinzento, com tiques a Outono, a convidar a uma saída, a fazer um passeio matinal, e deixar o relógio em casa, e ao sabor de encontros e reencontros tagarelar aquelas futilidades, que sempre se dizem, onde vez ou outra saem frases do tipo - temos de combinar um cafezinho, qualquer dia, ou, pois, o tempo é cada vez menos, ou, é a vida.

Ao início da tarde, na entrada do hospital cruzo-me com um grupo de gente que decerto debate o estado clínico de algum familiar e amigo, e escuto, no meio de outras palavras - é a vida.
Subo ao último piso do edifício, talvez para que os enfermos ali internados possam estar mais perto do céu.
Transtornado, na saída, encontro outros peregrinos, as palavras escasseiam, os soluços tentam parecer-se com o silêncio, os olhares cruzam-se, evitando-se, impotentes.

De uma boca sai a frase - é a vida.

Não - penso eu. Não é a vida.