domingo, 4 de outubro de 2009

tirou-me as palavras da boca - lá como cá



"Vem aí votação

outra vez as eleições

aí vem a enganação

outra vez as decepções

as promessas não cumpridas

as palavras encenadas

que de tanto repetidas

soam mais como piadas

com sorrisos amarelos

oferecem dentaduras

-são cabrestos - e uns chinelos

- são as nossas ferraduras -

brincadeira democrática

o debate é um sucesso

nas bandeiras desta pátria

a desordem faz progresso

brincadeira de mau gosto

pois não vejo a menor graça

em ficar pagando imposto

pra sustentar essa raça.


Todo mundo só resmunga

depois lava suas mãos

preparando logo a sunga

porque é folga na eleição

todo o mundo dá palpite

lá na praia e no sertão

mas depois sempre se omite

do dever de cidadão

o dever é que te chama

vem aí votação

mas depois não vai pra cama

assistir televisão

porque pra sair da lama

só com participação

todo o mundo só reclama

mas não toma posição.


Todo o mundo faz pedido

mas não faz imposição

todo o mundo tá fudido

mas não faz oposição.


todo o mundo se ilude

mas não toma uma atitude

todo o mundo ainda sonha

mas ninguém toma vergonha."



POVO-NULO, Gabriel o Pensador - Diário Noturno 5/7/98


Seagull

Não vou à praia por calendário. Vou à praia, pelo apelo do mar, seja a que hora for, e havendo condições, leia-se menos que mínimas, vou a banhos. Talvez tenha sido gaivota noutra vida.
Hoje tive um feeling matinal, de que o tempo estaria bom para mergulhos. E não me enganei.
Tratei de aproveitar antes da chegada do período de hibernação.
No regresso avistei as ruínas daquilo que em tempos foi a melhor discoteca da zona - o Seagull.
Totalmente destruída num estranho incêncio em 1998, esta discoteca decerto faz parte das recordações de muitos assíduos, que tal como eu recordei hoje, se lembrarão de como era único curtir U2, Stones, Billy Ydol, Whitesnake, Lou Reed, and so on..no deck, de copo na mão, e aquele marzão todo à volta, e só regressar a casa ao amanhecer...

Estranho continua a ser, que passados quase doze anos, as ruínas ainda ali estejam a (des)integrar a paisagem.
Mais um exemplo da pegada Lusa.




sábado, 3 de outubro de 2009

Solidão

Num postal ilustrado, que tenho há anos, vem escrita a seguinte frase - e eu sozinho canso-me, detesto-me, causo-me fastio. Durante anos não concordei com este pensamento, pois estar sozinho para mim, durante a atribulação que tem sido a minha vida, era um reset total, e continua a ser. Esse estado de estar sozinho é momentâneo, efémero, temporizado, pois sempre antecede novos momentos de companhia. São pausas, em que gosto de estar comigo mesmo. O outro estar sozinho, é a solidão. Permanente. Definitiva. A leitura do post da minha amiga Antígona com o título "já não faço falta a ninguém", aponta o drama de pessoas, que não o deixaram de ser - pessoas - porque envelheceram. Porque estão e são velhos. Pelo contrário, "ser Velho" devia ser acima de tudo um estatuto superior. Sábios são os povos, que veneram, escutam e respeitam os seus anciões.

As mais saborosas lições de vida que tive vieram dos meus avós.


Contudo generalizou-se que o velho, o idoso, deixa de ser pessoa, quando não tem mais sumo pra dar. Tornou-se num coisa, num fardo, a descartar, a evitar, é um não-essencial quando deixa de contribuir, e um estorvo quando começa a dar trabalho. O autismo, desprezo, hipocrisia que uma triste maioria silenciosa e cobarde, pratica ao desprezar os seus "velhos" é infelizmente cada vez comum, seja no puro abandono, ou no conveniente depósito do "velho" num lar de idosos. Quando um velho conclui que já não faz falta a ninguém, ele deve concluir que essa falta é meramente material, ele deixou de contribuir para o bem estar dos seus descendentes. De repente dá-se conta de que os que antes o ouviam com atenção, que o respeitavam, apenas faziam um frete. Não o amavam afinal. Pois se o amassem, cuidariam dele quando este mais precisasse. Em suma, quando ele tivesse falta dos cuidados, dos mimos, do aconchego, e aí sim, morreria acompanhado. Nunca em solidão.



" E vem-nos à memória um frase batida...
..... hoje é o primeiro dia do resto da tua vida."



gente nova


Noite boa, ontem, no Bispo. Temia-se pelo ambiente da sala, pois havia uma reserva de uns quantos jovens. Uma mesa para 20. Nestas andanças, tenho observado que os grupos de jovens, mas não só, cometem alguns excessos alcoólicos, e muitas vezes, um grupo numa sala, torna-se barulhento, e o corropio de levanta sai e entra, para fumar um cigarrito ou falar ao telemóvel, afecta os restantes presentes.

Confesso que por vezes o ambiente, nestes casos, fica díficil de digerir. O grupo faz a festa, atira os foguetes e apanha as canas, mas faz parte. Acostumei-me a observá-los e fazer o meu trabalho o melhor que posso, dadas as circunstâncias, pois, por vezes nem me consigo ouvir.

Realmente, o grupo era jovem, com idades entre os 16e 19, presumo. No início houve aquele tagarelar prefeitamente normal, mas nada de excessivo. Deixaram-se embalar pelos refrões do Rui Veloso, Palma, Ala do Namorados, Paulo Gonzo, Xutos e por aí fora, cantarolando, e contagiando a sala. Educados, ajudaram a que a noite tivesse aquele tempero mais descontraído que só se tem nessas idades. E deixaram a confirmação de que estas novas fornadas de gente, tem valor, educação, e sabem comportar-se. Houve uma total adesão do resto da sala durante toda a noite, para surpresa de muitos, e a lição de que não devemos julgar por antecipação.

Voltem sempre.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Ir ao Doutor

Hoje foi dia de visita ao Doutor. De rotina. Para ver se os níveis do corpo que habito, têm resistido aos amargos e doces de boca, que lhe mando para dentro. Afinal se somos atentos às revisões do nosso automóvel, devemos sê-lo com a nossa carcaça, pois afinal esta é a que possuímos, e não me consta que se possa trocar por outra, nem que existam incentivos para abate. Por isso toca a verificar o colesterol, a tensão, o ácido úrico, os triglicerídeos, os diabetes, a próstata, o peso. Ufa!!!

Mais seis meses licença, o Doutor gostou dos níveis. Tenho sido um menino bem comportado. venha de lá esse queijinho de Azeitão.

Uma componente das consultas, a que me acostumei, dado o habitual atrazo no horário marcado, é o de me inteirar da vida dos famosos nas muitas revistas cor de rosa que povoam a sala de espera. E assim sendo, com a regularidade imposta pelo Doutor, revejo os meus níveis e faço uma actualização de ficheiros sobre essa gente que parece habitar neste tipo de publicações.

Por isso, hoje, actualizei-me. Fiquei a saber que a Floribela não tem sangue vermelho, mas sim, azul; que a Maya posou para uma revista masculina(?); que o namorado da outra engravidou outra; que o fulano se separou da fulana; que o Carlos Castro está furibundo com uma apresentadora que disse que as revistas cor de rosa são medíocres - e que lindas pernas tem a menina; que quase todos os famosos foram a banhos para o Algarve; que muitas famosas continuam a insistir em usar nomes canídeos, tais com Pituxa, Pipinha, Bibá, Lili, Popota...

Será que existe gente que compra estas revistas? Ou são só os médicos, para disfarçar os atrazos nas consultas?







- Foi bom?
- Humm, não me vou pronunciar...
- Para mim foi. Foi bom.
- ......
- Vêmo-nos em breve?
- Acho que não vou responder...
- Posso ligar-lhe?
- Não é seguro...
- Entendo. E se lhe mandar um mail?
- Descobri que também não é seguro...
- Então até qualquer dia?
- Não devo responder.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Atchim !



Temos andado entretidos e distraidos, pela comunicação social, com alguns fait divers que desviam a nossa atenção em relação à gripe A, no caso de haver real risco de pandemia.
As eleições, as escutas, os submarinos, ocupam quase todo o espectro noticioso.
Deveria haver mais informação e prevenção. Mais presente e constante. Firme quanto baste. Não alarmante, mas consistente. Mandar a malta votar com caneta pessoal até pegou, mas, e o resto? O que se tem dito não chega, e é ignorado pela esmagadora maioria das pessoas. Receio que no caso de propagação galopante, haverá pânico, histeria, e excessos. Somos um país sem meio termo, ou é 8 ou 80. Basta recordarmos os dias em que Portugal esteve uns dias com menos combustivel, por via da greve dos camionistas, e imaginar a malta a barricar-se em casa, não sem antes abastecer o bunker com medicamentos e comida, tanto quanto conseguirem. São os dos 80.
Facilitar pode resultar num caos. Se pensarmos em pura aritmética, em que 1 pode contaminar 3 em 24 horas, ficamos com um número assustador: 2187 numa semana. A observação da evolução da doença, e das medidas aplicadas, em países mais a norte que o nosso, pode ser fundamental.
A leitura da notícia abaixo, foca o impacto económico de uma possível pandemia que, a acontecer, coincide precisamente com a época do pico de vendas: o Natal.

Será pouco provável que quem de direito, venha a público desaconselhar as deslocações aos espaços comerciais, onde certamente teremos mega concentrações de gente constipada, a tossir e a espirrar. Estes locais serão os principais potenciais depositários do vírus. Senão vejamos - desde o manuseamanto colectivo de artigos; do dinheiro de mão em mão; da colocação das mãos num corrimão, cadeira, mesa; da proximidade das pessoas; da permanência em espaço fechado.
Será que vamos andar todos de luvas e máscara? Preservativados? Amuquinados?
A acção de quem deve aconselhar está seguramente manietada por interesses económicos, e só serão mais presentes, quando a situação estiver a descambar.

Já decidi:
O melhor é fazer as compras de Natal, no São Martinho. E de manhã. Sempre tem menos malta. A tossir e a espirrar.




"Mais do que espirros ou dificuldades respiratórias, a gripe A está provavelmente a causar alguns “ataques de nervos” aos economistas, que ainda não perceberam qual será o seu verdadeiro impacto na economia e se será motivo suficiente para nos fazer mergulhar por mais tempo num clima de recessão.
Para já, o custo económico da gripe está a ser marginal, na ordem dos 0,002 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, segundo um estudo da Natixis.
Mas a história mundial já mostrou, por várias vezes, que as doenças não necessitam de se manifestar a uma grande escala nem de ter uma grande virulência para terem impacto nas economias. Com o Outono à porta no hemisfério Norte, o efeito de uma segunda vaga de gripe poderá ser bem maior do que o até agora ocorrido, porque coincidirá com o momento em que as várias economias começam a sair da crise e com a forte época de vendas que é o Natal.
Um estudo da Deloitte, em colaboração com a Intelligent Life Solutions, já contabilizou alguns dos possíveis custos da pandemia para o nosso país. De acordo com a projecção, o absentismo laboral motivado pela infecção com o H1N1 poderá originar uma redução do PIB nacional entre 0,3 e 0,45 por cento, um valor que pode oscilar entre os 490 e os 740 milhões de euros.
Do lado dos empresários já se levantaram vozes de receio, de que a gripe acelere as falências. A Confederação do Comércio e Serviços de Portugal estima que milhares de estabelecimentos fechem temporariamente as portas, como consequência de um pico de pandemia."

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